Os fins de ciclo iminentes na Fórmula 1 em 2026

O esporte está constantemente em reconstrução, e na Fórmula 1 não é diferente. Anos se passam, pilotos que não se provam dão lugar a novatos ou apostas de confiança. Em 2026, pelo menos três competidores chegam à metade da temporada sem ter provado quase nada e com ainda menos perspectiva de melhoria, ou com poucos motivos para permanecer no grid.
Esta lista ignora casos como o de Lance Stroll, que dificilmente será sacado do assento da Aston Martin, já que o acionista majoritário da equipe é seu pai, ou de Max Verstappen, que tem estado longe do topo muito mais por limitações do carro da Red Bull do que por qualquer queda de desempenho individual. O holandês, todavia, tem seu nome ligado a uma saída do time austríaco para possivelmente se juntar à McLaren.
1. Esteban Ocon (Haas)
Dono de uma única vitória, conquistada no GP da Hungria de 2021, e outros três pódios, Esteban Ocon chegou a 2026 já sob desconfiança por parte da comunidade da F1. Vindo de um fim sem brilho na Alpine, ele abraçou o projeto da Haas em 2025 sob a nova chefia de Ayao Komatsu e teve um primeiro ano sólido, mas longe de qualquer brilhantismo.
Do outro lado da garagem, o francês de 29 anos assistia à ascensão gradual de Oliver Bearman, jovem pupilo da Ferrari, que cresceu na reta final, igualou o melhor resultado histórico da Haas na categoria (4o lugar no GP do México) e o superou na classificação final. O que ele certamente não esperava era que isso seria apenas um prelúdio da temporada seguinte.
Após oito rodadas disputadas, Ocon é apenas o 16o colocado do campeonato de pilotos, com três pontos, enquanto Bearman é o 11o, com 18 tentos — seis vezes mais que o francês. Rumores já surgiram de que a equipe estadunidense cogita tirá-lo do assento já em 2026 caso as performances não melhorem.
Essas perspectivas não são boas, já que o VF-26 não parece ter mais o mesmo desempenho das rodadas iniciais. Somado a isso, Ocon tem um déficit em relação a Bearman de 6 a 2 em classificações e de 5 a 3 em Grandes Prêmios.
O interesse gerado pelo no 31 pode não ser suficiente após as últimas temporadas, e sua situação não melhora quando crescem na mídia os nomes do brasileiro Rafael Câmara —piloto júnior da Ferrari e postulante ao título da Fórmula 2 — e do japonês Ryo Hirakawa, que já realizou alguns testes pela Haas e conta com apoio da Toyota, parceira técnica do time.
2. Valtteri Bottas (Cadillac)
O retorno de Valtteri Bottas à F1 após um ano de ausência causou grande estranhamento no público a princípio. Apenas a experiência no desenvolvimento de carros campeões pela Mercedes entre 2017 e 2021 explicaria a escolha da Cadillac pelo finlandês. E, embora o carro da equipe estreante limite bastante suas possibilidades, sua performance em comparação com o companheiro Sergio Pérez tem sido extremamente fraca.
Bottas superou o mexicano apenas duas vezes em oito classificações e sete corridas (ambos abandonaram na Áustria). Os dois seguem zerados na pontuação, mas foi Pérez quem mais se aproximou de terminar entre os 10 primeiros, quando perdeu o único ponto conquistado no GP de Mônaco devido a uma punição aplicada após a prova.
Sabia-se, desde antes do começo da temporada, que a Cadillac planejava levar Colton Herta para a F1. Na situação atual dos pilotos do time, é difícil não pensar que seria Bottas o escolhido para dar lugar ao piloto estadunidense.
A única questão que pode garantir que o no 77 tenha sua estadia prolongada na categoria é a ausência de pontos suficientes de Herta para a obtenção de uma Superlicença FIA — documento obrigatório para correr no Mundial. Atualmente, ele disputa a Fórmula 2 e ocupa apenas a 15a posição após seis etapas disputadas.
3. Fernando Alonso (Aston Martin)
Quando a Aston Martin contratou o bicampeão mundial Fernando Alonso, recrutou o grande nome da engenharia da F1, Adrian Newey, e construiu uma fábrica de alta tecnologia que custou mais de R$ 1 bilhão, imaginava-se que o projeto tinha potencial para incomodar as grandes da categoria. Porém, o novo regulamento jogou um banho de água fria no time britânico, que amarga a penúltima posição no Mundial de Construtores em 2026.
Alonso é, sem sombra de dúvidas, o menor dos culpados pelo declínio da equipe. O espanhol viveu de verde os últimos momentos de destaque de sua carreira até aqui, com os oito pódios conquistados em 2023 e o quarto lugar no Mundial — melhor colocação desde o vice-campeonato em 2012. Mas, prestes a completar 45 anos de idade, é difícil imaginar um cenário em que 'El Nano' consiga se colocar novamente entre os três primeiros no curto e médio prazo.
Verdade seja dita: ele foi responsável pelo único ponto conquistado pela Aston Martin até aqui, com o 10o lugar em Monte Carlo, mas os problemas crônicos do AMR26 tornam frustrante a experiência de disputar cada GP. Seus planos antes do começo da temporada eram se aposentar após uma última campanha de destaque e, caso não a alcançasse, tentar novamente para "sair em alta". O problema é que o fracasso vivido neste ano tem sido imensamente maior do que se poderia imaginar.
O piloto do no 14 deixou seu futuro em aberto e afirmou que irá pensar sobre ele durante as férias da F1, que ocorrem em agosto. Para além do desempenho do carro, ele cita como fatores decisivos os rumos que o esporte está tomando nesta nova era técnica.
Poderemos, portanto, estar assistindo às últimas apresentações do competidor que detém o recorde de mais largadas na história da categoria (433) e protagonizou batalhas épicas com
Michael Schumacher, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton entre os anos 2000 e 2010.




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