Na nossa vez, o Senna é italiano e dá alegria aos Tifosi sem correr pela Ferrari

Posso correr o risco de queimar a língua ao escrever um texto cujo título põe, na mesma frase, uma das maiores lendas do esporte e um piloto que ainda está na disputa de seu primeiro título mundial. Mas é impossível conter o entusiasmo após mais uma atuação de gala de Kimi Antonelli. O italiano venceu o GP da Itália largando de 19o lugar e conseguiu um feito raro: fazer os Tifosi comemorarem uma vitória que não veio de um piloto da Ferrari.
Entre bandeirões do Cavallino Rampante e ao som de ‘Sarà perché ti amo’, pela primeira vez em 60 anos, a Itália vibrou com um dos seus a vencer no “Templo da Velocidade”. Mesmo se contarmos aqueles GPs realizados em Ímola (batizados de GP de San Marino e, mais recentemente, de GP da Emília-Romanha), um italiano não vencia em casa desde que Ludovico Scarfiotti conquistou seu primeiro e único triunfo na categoria, a bordo de uma Ferrari em 1966.

Claro que esse título não passa de uma provocação formada por duas das principais manias da comunidade de Fórmula 1 desde a corrida do último domingo. Mas, de fato, as comparações entre Antonelli e Ayrton Senna começam antes mesmo de qualquer aspecto competitivo. O piloto da Mercedes nunca escondeu ser fã do brasileiro e escolheu o no 12 de seu carro em homenagem ao tricampeão. Outros fatores de semelhança são a aparência física dos dois e o fato de Antonelli ter nascido em Bolonha, cidade onde Senna faleceu tragicamente em 1994.
Se isso tudo não fosse suficiente para alimentar as comparações — inevitáveis em qualquer esporte entre promessas em ascensão e lendas do passado —, Antonelli deu, nas pistas, outro motivo: sua velocidade.
Apadrinhado pela Mercedes desde os 13 anos, ele conquistou tudo que podia no kart e nas categorias de base antes de chegar à F1. Ainda houve quem contestasse seu talento e seu merecimento em 2025 por não ter sido campeão da Fórmula 2. Naquele ano, sua equipe como um todo passou por dificuldades. Além disso, o próprio Antonelli vinha de um grande salto de carreira, após pular a Fórmula 3 e ir direto da Fórmula Regional para a principal categoria de base do mundo.

Agora, pouco mais de um ano depois de sua estreia, que teve pódios e uma pole position como destaques, Antonelli é o líder absoluto e incontestável do campeonato mundial. Com 66 pontos de vantagem para o vice-líder George Russell, também da Mercedes, nada parece capaz de pará-lo. São sete vitórias do italiano contra apenas duas do britânico.
Restam 10 etapas para o fim da temporada, das quais uma é no formato Sprint, então, claro, ainda há espaço para mudanças de rumo como a que vimos no ano passado com Oscar Piastri, mas isso não anularia todos os feitos já conquistados até aqui. Um deles é o de líder mais jovem da história, que pode se tornar o de campeão mais jovem, caso o título se concretize.
O último piloto que teve um crescimento tão rápido na categoria foi ninguém mais, ninguém menos que Lewis Hamilton. E vimos o estrago que ele foi capaz de fazer ao longo das últimas décadas.
Após tudo isso, cabe destacar que considero injusto rotular qualquer piloto, seja ele brasileiro ou não, como um “novo Senna” ou “novo qualquer um”. Antonelli é Antonelli, Senna é Senna, e cada um merece ser admirado por seus próprios feitos.
Mas também é inegável que podemos estar vendo o nascimento de um dos grandes nomes do automobilismo pelas próximas décadas. Antonelli pode vir, sim, a escrever seu nome no hall da fama da Fórmula 1 ao lado de nomes como Senna, Hamilton, Michael Schumacher e outros gigantes.




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