No esporte, todos têm o seu lugar

As Paralimpíadas 2024 começaram nesta quarta-feira, com a cerimônia iniciada na Avenida Champs-Élysées em direção à Praça La Concorde. A abertura dos jogos praticados por pessoas com algum tipo de deficiência, seja ela física ou cognitiva, é também uma cerimônia de abertura para falar de acessibilidade no esporte. No sentido mais generalista do termo, pensamos em acessibilidade no âmbito financeiro; fora os incentivos públicos e sociais, o esporte, na maior parte das vezes, só é acessado por pessoas com um considerável poder aquisitivo, seja para praticá-lo ou assisti-lo. Tal debate, inclusive, se fez presente no decorrer dos Jogos Olímpicos, em que programas como o Bolsa Atleta, pela primeira vez, chegaram ao conhecimento de muitas pessoas. Mas, para além da acessibilidade financeira, é preciso pensar — e executar — a acessibilidade física no esporte.
Não há muito tempo atrás, jamais se pensaria em fazer um espetáculo para assistir cegos jogando futebol, ou um jogo de vôlei sentado. No esporte e na vida, tudo que foge do espectro da normalidade, era (e por vezes, ainda é) intolerável. E não cabe aqui pôr em discussão o conceito de “normal”, afinal diversas ciências se encarregam de trazer diferentes visões do termo, mas sim compreender que, para o esporte, o normal transpassa barreiras biológicas. O normal não é uma ciência exata. Ofertar o esporte para pessoas com deficiência é, não só ofertar um lazer, mas também uma mudança de vida. E, se não for radicalizar demais, ofertar o esporte para pessoas com deficiência é uma obrigação de todos nós. Como meros consumidores ou patrocinadores desses esportes, de todo modo precisamos fazer a nossa parte.
A abertura das Paralimpíadas celebra a presença necessária de diversas pessoas com deficiência no cenário esportivo. Elas precisam desse espaço tanto quanto nós precisamos aprender muito sobre determinação com elas.




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