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Muito além do ouro: a ginástica rítmica por trás do pódio

Renata Marise Brito
6 de set.
3 min de leitura
Foto: Marijan Murat / Picture Alliance
Foto: Marijan Murat / Picture Alliance

Após subir ao pódio no conjunto geral, levar a medalha de bronze e garantir de maneira antecipada a classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, a Seleção Brasileira de Conjunto de ginástica rítmica faz história no Campeonato Mundial de 2026 e leva para casa dois ouros inéditos.


Anteriormente, em 2025, no Rio de Janeiro, o Brasil havia conquistado suas primeiras medalhas mundiais — duas pratas: uma no conjunto geral, e a outra na prova de 3 bolas + 2 arcos. Já na edição de 2026, sediada em Frankfurt, a seleção verde e amarela conquistou seu espaço nos holofotes da ginástica rítmica mundial. À frente de países como China, Bulgária e Espanha, o Brasil marcou 29,450 pontos na final de 5 bolas, mesma nota obtida na final de 3 arcos + 2 maças.


O bronze, responsável por classificar o país antecipadamente para os Jogos Olímpicos, veio na categoria de conjunto geral, que soma as notas de todas as provas. As ginastas brasileiras conquistaram 55,500 pontos, logo atrás do Japão, com 56,700, e da Espanha, que alcançou 57,450.


Chegar a esse lugar é reflexo de uma longa trajetória. Quando Camila Ferezin, atual técnica, assumiu o comando da Seleção em 2011, o Brasil conquistou a 22ª posição no Mundial. Em 2013, alcançou a 12ª. Treze anos depois, a equipe chegou ao lugar mais alto do pódio. As ginastas, que abdicam de parte de suas vidas em prol do esporte e se submetem a rotinas exaustivas de treinos, também foram peças-chave para a conquista.


Entre elas está a atleta Maria Paula Caminha, que, apesar de amazonense, construiu sua trajetória esportiva nas quadras e centros de treinamento de Salvador. Hoje, sua conquista torna-se símbolo de possibilidade para os atletas que ocupam os mesmos espaços e sonham em chegar ainda mais longe. Em entrevista ao GE, após a conquista da prata em 2025, a atleta destaca que o resultado foi fruto de “muitos anos de trabalho, de muito esforço, muita dedicação diária”, mostrando que a medalha começa muito antes do pódio.


Assim, se Maria Paula chegou ao alto rendimento, é evidente que existe um grande trabalho de formação por trás dela. Processo semelhante aparece nas histórias das ginastas soteropolitanas Clara Beatriz, atleta da seleção brasileira de conjuntos juvenil, e Keila Vitória. Keila, além de representar o país na categoria individual em campeonatos sul-americanos e mundiais, também foi convocada para integrar a seleção de conjuntos adulto, assim como Maria Paula.


A estrutura responsável pela formação de novas ginastas também vem ganhando espaço. O Circuito Baiano de Ginástica, evento que reúne diferentes modalidades como ginástica rítmica, artística, acrobática e aeróbica, desde sua criação, em 2021, passou de uma média de 60 para entre 300 e 400 atletas por etapa em 2024, segundo dados da Federação Bahiana de Ginástica.


É fato que a formação de atletas está crescendo. Com isso, pode-se afirmar que o público também cresce junto?


Não necessariamente. Esses crescimentos nem sempre são proporcionais, visto que uma modalidade pode se consagrar nas competições antes mesmo de construir seu próprio espaço na vivência do coletivo. Afinal, ser visto não é o mesmo que ser acompanhado.


A ginástica rítmica pode ter despertado novos interesses depois dos ouros, mas o que acontece com o esporte quando a notícia deixa de ser novidade? Sem cobertura contínua, capaz de instigar nas pessoas o desejo de acompanhar a modalidade, ela volta ao esquecimento, uma vez que o interesse é um dos alicerces mais importantes para manter vivo o legado de algo que vai além de resultados.


Apesar dos inúmeros clubes, calendários de competições e uma Federação voltada apenas para as atividades da ginástica na Bahia, a rotina do esporte — por trás dos títulos extraordinários e posições de destaque — ainda é muito ofuscada e compete por reconhecimento com outras modalidades com espaço já bem delimitado no dia a dia das pessoas, como o futebol. Por isso, onde está a ginástica rítmica quando não há nenhum ouro para noticiar?


Ela está nos clubes, entre treinadores e, sobretudo, nos sonhos e trajetórias de atletas que almejam o alto rendimento. Por isso, é importante entender que a medalha não é o começo da história, e sim somente um capítulo, a culminância de um processo que envolve anos de dedicação e trabalho.


E é justamente essa história que precisa ser contada. A cobertura contínua permite enxergar a modalidade antes do resultado, possibilitando o reconhecimento das atletas, de suas motivações e fazendo com que a GR conquiste espaço não só nas manchetes, mas também no coração do povo. Afinal, ser visto quando se conquista um ouro é diferente de ser acompanhado durante o caminho até ele.

1 comentário


mendesbruna010
06 de set.

Texto maravilhoso! As meninas da ginástica rítmica arrasam demais!!

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