Mercedes é imbatível em 2026... ou não?

Antes mesmo do início da temporada 2026 da Fórmula 1, a Mercedes já aparecia como favorita ao título. Octacampeã mundial, a equipe alemã saiu da pré-temporada cercada de expectativas e, até aqui, tem correspondido e lidera tanto o mundial de pilotos, com Kimi Antonelli, quanto o de construtores. As Flechas de Prata só não venceram a sprint do GP de Miami. Diante desse domínio, surge a dúvida: ainda há espaço para alguma rival ameaçar a supremacia da equipe na temporada?
As principais adversárias da Mercedes neste início de novo regulamento são Ferrari e McLaren. A distância, que nas primeiras corridas parecia grande, vem diminuindo. Em Suzuka, Oscar Piastri esteve perto da vitória antes de um Safety Car mudar os rumos da corrida. Na prova seguinte, foi a vez de Lando Norris vencer a corrida de sábado – a primeira de um piloto não-Mercedes no ano.
A sprint do GP de Miami deu esperança aos fãs de que a categoria não viverá a hegemonia de uma única equipe. Contudo, a corrida de domingo serviu como um banho de água fria nessas expectativas. Antonelli cravou a pole position e, apesar de perder a liderança na largada e sofrer com falhas no câmbio na parte final da etapa, venceu e disparou na liderança do campeonato.

Embora ainda seja cedo para cravar definições sobre o rumo da temporada – apenas quatro GPs e duas sprints disputadas –, há um risco que vai além da mera superioridade de uma equipe: a possível dominância de Antonelli. O italiano tem 20 pontos de vantagem sobre o companheiro George Russell, que, neste momento, está mais próximo do terceiro colocado Charles Leclerc, da Ferrari, do que do líder. A dupla da McLaren, apesar da boa fase, ainda sofre os efeitos dos abandonos em Melbourne e Xangai.
Fato é que houve, no intervalo de um mês entre o GP do Japão e o de Miami (causado pelo cancelamento das corridas do Bahrein e da Arábia Saudita), uma aproximação clara da McLaren, muito em função das atualizações levadas pela equipe. Na prática, a Mercedes “deixou escapar” vitórias em provas nas quais ainda possuía grande vantagem técnica e, caso as rivais passem a oferecer riscos reais ao título, esses pontos podem fazer falta.
Outra situação que pode afetar o desempenho do W17 é a alteração do regulamento em relação às medições das taxas de compressão do motor – área em que havia uma brecha que a Mercedes supostamente estaria explorando. A vantagem de cerca de 0,3s por volta, atribuída pela imprensa à solução da equipe de Brackley, caso realmente exista, tende a desaparecer e abrir espaço para o crescimento de outras forças do grid.
Quando se fala especificamente sobre a evolução da McLaren, é impossível não lembrar que, em 2023, a equipe construiu um carro inicialmente fraco, que tinha dificuldades até mesmo para chegar ao Q3, mas desenvolveu ao longo da temporada um conjunto capaz de brigar por vitórias na reta final.
Com a Ferrari, a situação é um pouco mais complexa. A escuderia brigou pela vitória logo na corrida de estreia do novo regulamento e tinha na largada seu principal trunfo para desafiar a Mercedes, em uma era que parecia ser marcada por ultrapassagens difíceis. Porém, o desempenho caiu a partir do Japão, as largadas deixaram de ser tão superiores, e o regulamento foi reajustado e afetou as trocas de posição.
Neste momento, Leclerc ocupa a terceira posição no mundial muito mais pela consistência do que pela velocidade, enquanto Lewis Hamilton só subiu ao pódio em Xangai, mesma pista em que conquistou sua única vitória pela Ferrari em uma corrida sprint no ano passado.




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