Jogos Paralímpicos: Da conquista de espaço ao ciclismo

Em muitas oportunidades, quando olhamos para conquistas atuais, por vezes descartamos o caminho percorrido para que as coisas sejam como são. Os Jogos Paralímpicos são, talvez, uma das grandes conquistas da humanidade. Em 1936 aconteciam as Olimpíadas de Berlim, onde Jesse Owens, um negro, conquistou 4 medalhas de ouro em atletismo sob as vistas de um dos regimes mais racistas da história. Regime esse que também era extremamente eugenista, exterminava pessoas com deficiências, que acreditava serem um peso para a sociedade, “vidas indignas de serem vividas”.
Ao fim da Segunda Guerra Mundial, com a derrota desse regime, o neurologista Sir Ludwig Guttman organizou os primeiros jogos para veteranos de guerra com lesões na medula espinhal. A intenção era que o esporte fosse parte da reabilitação.
Esses jogos foram o pontapé inicial para a expansão e realização dos Jogos Paralímpicos oficiais em Roma em 1960. Simbólico, não? Da segregação e extermínio à glória eterna. Para entender a importância do presente e do futuro, é preciso revisitar o passado.
O Ciclismo Paralímpico
O ciclismo é um esporte extremamente inclusivo nas Paralimpíadas. Cada categoria dentro dele é adaptada ao tipo e nível de deficiência dos atletas, de amputações e paralisia cerebral, a lesões na medula espinhal.
Categorias
• Categorias C (C1-C5): É feita para ciclistas com deficiências que afetam os membros. C1 para os de grau mais severo, e C5 para os de grau mais leve.
• Categorias H (H1-H5): Os ciclistas utilizam handbikes devido a deficiência nos membros inferiores, seja parcial ou total.
• Categorias T (T1-T2): Aqui são utilizados triciclos, para atletas com paralisia cerebral ou condições parecidas.
• Categoria B: Categoria unicamente para atletas com deficiência visual, que utilizam de bicicletas tandem com um piloto guia, sem deficiência.
Pista e estrada
As provas são feitas em duas diferentes vertentes: ciclismo de pista e ciclismo de estrada. O ciclismo de pista é realizado em uma pista oval com curvas inclinadas, incluindo provas de contrarrelógio e de perseguição individual. As distâncias variam dependendo da categoria de classificação dos atletas, que é baseada no tipo e nível de deficiência. Os competidores são divididos em categorias de C1 a C5 e B.
Já no ciclismo de estrada, os atletas competem em provas contrarrelógio e de resistência em circuitos ao ar livre. As categorias aqui são H1 a H5, T1 a T2, C1 a C5 e B.
Destaques
Michael Teuber e Jody Cundy são grandes expoentes no esporte. Michael é um atleta com paralisia cerebral que conquistou 10 medalhas no ciclismo, sendo incríveis 6 medalhas de ouro, 3 de prata e 1 de bronze. Cundy tem uma amputação abaixo do joelho e 11 medalhas, sendo 7 de ouro, 2 de prata e 2 de bronze. É um atleta histórico que ainda está em atividade não só no esporte, mas dentro dos próprios Jogos Paralímpicos.
O ciclismo nas Paralimpíadas teve início em 1984, em Nova York. Desde então, tem passado por grandes evoluções em cada edição da competição, sendo incrementadas novas modalidades e categorias. Novas histórias foram e continuam sendo construídas, vislumbrando pessoas que em períodos passados, não teriam oportunidade de serem eternizadas. Mas não nos enganemos - nada veio de mão beijada. As conquistas dessas pessoas são fruto de suas próprias lutas e causas, de acreditar e enxergar uma luz no fim do túnel, de geração em geração.




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