Golbol e a jornada brasileira em Paris

Seleção brasileira masculina e feminina avançaram para as fases finais e competiram por medalha
O golbol é uma modalidade paralímpica desenvolvida exclusivamente para pessoas com deficiência visual. Criado pelo austríaco Hanz Lorezen e pelo alemão Sepp Reindle em 1946, o esporte foi direcionado aos veteranos da Segunda Guerra Mundial, que haviam perdido a visão, e estreou nas Paralimpíadas de Arnhem em 1980. As mulheres entraram para a disputa em 1984.
Como funciona a modalidade
A quadra tem as mesmas dimensões do vôlei (9m de largura por 18m de comprimento). As partidas são realizadas em dois tempos de 12 minutos, com três minutos de intervalo. Cada equipe conta com três jogadores titulares e três reservas. Os atletas jogam com vendas nos olhos para assegurar a igualdade de condições e são classificados conforme os graus da deficiência, que são:
B1: Cegos totais ou com percepção de luz, mas sem reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância
B2: Atletas com percepção de vultos
B3: Atletas que conseguem definir imagens
De cada lado da quadra, há um gol com 9m de largura e 1,30m de altura. Os atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas obrigatórias. O objetivo é balançar a rede adversária.
A bola tem um guizo em seu interior para que os jogadores saibam sua direção. O goalball é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, por isso, não pode haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento entre o gol e o reinício do jogo e nas paradas oficiais. A bola tem 76 cm de diâmetro e pesa 1,25 kg.
A participação brasileira

No torneio masculino, o Brasil chegou com grandes expectativas, como atual tricampeão mundial, além de detentor do título paralímpico, conquistado em Tóquio. A equipe passou invicta na primeira fase. Iniciou sua campanha vencendo os anfitriões franceses por 8x5, depois os EUA por 13x8, e fechou com o empate doloroso por 7x7 contra o Irã, pois vencia por 7 a 4 e, faltando pouco mais de um minuto para o fim da partida, sofreu três gols em sequência, o último deles quando restavam menos de três segundos. Ainda assim, passou de fase e venceu com folga o Egito, por 10x0, nas quartas de final.
Nas semis, a seleção foi derrotada pela Ucrânia por 6 a 4 em um jogo que começou bastante equilibrado, mas com a vitória ucraniana consolidada na segunda etapa. A seleção conseguiu voltar ao pódio após vencer a disputa pelo bronze contra a China. Teve as melhores chances na primeira etapa, indo para o intervalo com o 1x0 no placar. Na segunda etapa, a equipe deslanchou e chegou a ter 4 a 0 de vantagem no placar. Os chineses até tentaram esboçar uma reação, mas o Brasil teve tranquilidade para administrar a vantagem e fechar o jogo em 5 a 3. Foi a quarta medalha consecutiva do Brasil no golbol nas Paralimpíadas. A primeira foi a prata conquistada em 2012, nos Jogos de Londres, e a segunda foi o bronze, no Rio 2016, seguida pelo ouro em Tóquio.

Já a equipe do torneio feminino percorreu um caminho mais árduo. As mulheres perderam para a China por 3 a 1 e fecharam sem vitórias, em último lugar na chave. Como todas as oito equipes avançam de fase no goalball, o Brasil seguiu vivo na competição e surpreendeu nas quartas, vencendo as favoritas japonesas, que estavam invictas, por 2x0. No entanto, a seleção brasileira perdeu para Turquia nas semis por 3 a 1. A Turquia, atuais bicampeãs paralímpicas e campeãs mundiais, já havia enfrentado as brasileiras na fase de grupos, onde o confronto havia terminado em um empate de 3 a 3. A equipe turca confirmou seu favoritismo com a vitória na semifinal, e o Brasil foi para a disputa do bronze.
Na briga pelo bronze, a seleção reencontrou a China, que havia vencido as brasileiras na primeira fase. Novamente, a equipe chinesa bateu o Brasil. Abriu com 2 a 0 no primeiro tempo e deslanchou no início do segundo tempo, fechando em 6 a 0. Dessa forma, as brasileiras repetiram a quarta posição de Tóquio e da Rio 2016, e mais uma vez viram escapar a medalha inédita.




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