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Estrelas do Amanhã: O que esperar da Fórmula 2 em 2026

Pedro Sousa
20 de abr.
4 min de leitura

Rafael Câmara na Fórmula 2 | Foto: Dutch Photo Agency
Rafael Câmara na Fórmula 2 | Foto: Dutch Photo Agency

A temporada 2026 do esporte a motor tem todos os holofotes voltados para a introdução do novo regulamento da Fórmula 1. Mas, junto da categoria máxima, a Fórmula 2 é um dos grandes atrativos dos fins de semana de corrida. Em 2026, dois pilotos representam o Brasil no grid do principal campeonato de base da F1: Rafael Câmara e Emerson Fittipaldi Jr.


O país já conquistou duas vezes o título da F2, com Felipe Drugovich em 2022 e Gabriel Bortoleto em 2024. Sob o slogan “Stars of Tomorrow” (“Estrelas do Amanhã”, em tradução literal), que intitula este texto, a categoria é a maior vitrine do automobilismo mundial e exporta pilotos não só para a F1, mas também para a IndyCar, o Mundial de Endurance (WEC) e a Fórmula E, dentre outros.


Câmara, nascido em Recife, Pernambuco, tem 20 anos e faz sua estreia no campeonato após ter conquistado o título da Fórmula 3 em 2025. Ele é membro da Academia de Pilotos da Ferrari, o que o coloca na fila de sucessão da equipe de maior tamanho e prestígio do esporte a motor. Em 2026, ele compete pela equipe Invicta Racing, a mesma pela qual Bortoleto e o atual campeão Leonardo Fornaroli competiram e, portanto, é um dos postulantes naturais ao título.


Fittipaldi Jr., apelidado de “Emmo”, tem 19 anos, é filho caçula do bicampeão mundial Emerson Fittipaldi e também fará sua primeira temporada na categoria em 2026. Diferentemente do compatriota, ele chega com muito menos prestígio, após temporadas sem brilho na Eurocup-3 — categoria intermediária entre a Fórmula 4 e a F3. O brasileiro, nascido em Miami, está a bordo da AIX Racing, uma das equipes mais limitadas do grid e, portanto, espera-se que sua luta seja para entrar na zona de pontuação.


Emmo Fittipaldi Jr. pela AIX Racing | Foto: Dutch Photo Agency
Emmo Fittipaldi Jr. pela AIX Racing | Foto: Dutch Photo Agency

Embora todos os chassis e motores sejam padronizados na F2, o material humano (engenheiros, mecânicos etc.) e o orçamento para substituição de componentes do carro ainda têm peso significativo na relação de forças. As principais equipes, historicamente, são a Prema Racing, a Campos Racing, a Hitech GP e a própria Invicta.


Com uma etapa já disputada, em Melbourne, Câmara ocupa a vice-liderança com 18 pontos, conquistados com o segundo lugar na corrida principal, atrás apenas de Nikola Tsolov, búlgaro de 19 anos. Por outro lado, Fittipaldi Jr. segue zerado após um 14o e um 15o

lugares na rodada de abertura.


O calendário da F2 acompanhará o da F1 ao longo de 14 fins de semana, com duas provas

por etapa, uma no sábado, com grid invertido e pontuação reduzida, e outra no domingo.


O principal adversário de Câmara pela vaga na F1


Além da esperada disputa pelo título, o pernambucano tem uma meta em particular para 2026: superar Dino Beganovic. O sueco de 22 anos também é membro da FDA (Ferrari Driver Academy) e está em sua segunda temporada na F2, onde compete pela equipe DAMS. Vencer o rival no duelo interno pode ser fundamental para Câmara conseguir um assento de titular na F1 no ano seguinte.


Beganovic e Câmara no treino da FDA | Foto: Reprodução/@insideFDA via X
Beganovic e Câmara no treino da FDA | Foto: Reprodução/@insideFDA via X

Embora corra por uma equipe não tão forte, Beganovic tem como aliada a experiência de um ano completo na F2, no qual conquistou resultados positivos e terminou em sétimo lugar no campeonato. Na etapa inaugural de 2026, ele conquistou a pole position, mas abandonou a corrida por problemas mecânicos e ocupa a 13a posição na tabela.


Enquanto fornecedora de motor e parceira da equipe Haas na F1, a Ferrari tem “direito” a um dos assentos da equipe. Atualmente, essa vaga é ocupada por Oliver Bearman, que tem se destacado positivamente e é o candidato natural a substituir Lewis Hamilton no time italiano quando o heptacampeão se aposentar.


Porém, com os desempenhos ruins do companheiro de Bearman, Esteban Ocon, a segunda vaga da equipe estadunidense surge no horizonte como uma possibilidade. Se não já no próximo ano, Câmara pode ser alçado ao papel de titular em 2028.


Favoritos ao título em 2026


Além dos já citados Câmara, Tsolov e Beganovic, o grid de 2026 da F2 tem, entre os principais candidatos a vencer o campeonato, Alexander Dunne, Gabriele Minì e Joshua Dürksen.


Os três são nomes já conhecidos de temporadas anteriores. Dunne esteve envolvido na disputa por boa parte de 2025, mas sua velocidade bruta coincidia com um ímpeto exagerado que beirou a imprudência por vezes. O irlandês corre pela Rodin Motorsport e é membro da Alpine Academy, o que significa que seus desempenhos ameaçam indiretamente a vaga de Franco Colapinto na equipe de Enstone.


Incidente causado por Dunne interrompeu corrida em Mônaco | Foto: Reprodução/Fórmula 2
Incidente causado por Dunne interrompeu corrida em Mônaco | Foto: Reprodução/Fórmula 2

Minì também é piloto do programa da Alpine e chega a esta temporada após um 2025 sem muito brilho pela Prema. Para seu segundo ano na F2, ele se mudou para a MP Motorsport, equipe que, embora não seja uma das principais, consagrou Drugovich como campeão em 2022.


Por fim, Dürksen, piloto paraguaio que será companheiro de Câmara na Invicta e é piloto de desenvolvimento da Mercedes na F1. Em seu terceiro ano de categoria, ele terá que provar que as campanhas anteriores, tirando “leite de pedra” pela AIX Racing, não foram apenas fogo de palha.


Outros nomes, como Colton Herta, que fez uma transição extrema vindo da IndyCar e almeja um assento na Cadillac para 2027 na F1, e Sebastián Montoya, filho do ex-piloto Juan Pablo Montoya, também chegam a esta temporada com muita expectativa.


Seja quem for o campeão, a F2 sempre entrega corridas disputadas do início ao fim e um equilíbrio invejável para qualquer categoria. A próxima etapa será no circuito de rua de Miami, nos dias 2 e 3 de maio.

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