Como é bom o tênis de mesa brasileiro!

Se teve uma modalidade que conquistou os brasileiros em Paris 2024, foi o tênis de mesa. Hugo Calderano, Vitor Ishiy, as irmãs Bruna e Giulia Takahashi e Guilherme Teodoro conquistaram o Brasil, gerando muito engajamento nas redes sociais durante o período olímpico. Embora o ouro não tenha vindo, o tênis de mesa agora é visto com outros olhos pelo nosso país. Não é mais aquele “joguinho” que você brincava no intervalo das aulas no colégio, às vezes com um caderno em vez de uma raquete. O que foi? Eu já. Mas e nas Paralimpíadas? Como a modalidade chegou? Quem joga? Quando o Brasil entrou? Calma que eu te conto!
O tênis de mesa começou a ser praticado por pessoas em cadeira de rodas e entrou para o programa dos Jogos Paralímpicos em Roma 1960. A primeira participação de jogadores em pé aconteceu em Toronto 1976, junto com a estreia do Brasil. Nesta modalidade, participam atletas do sexo masculino e feminino com paralisia cerebral, amputados e cadeirantes. As competições são divididas entre mesatenistas andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por equipes. Em relação ao tênis de mesa convencional, existem apenas algumas diferenças nas regras, como na hora do saque para a categoria cadeirante.
Até os Jogos de Pequim 2008, a única conquista brasileira na modalidade havia sido a medalha de prata da dupla Welder Knaf e Luiz Algacir. No Rio 2016, o Brasil fez a melhor campanha de sua história, com quatro medalhas. Israel Stroh e Bruna Alexandre (sim, a mesma que disputou as Olimpíadas esse ano) faturaram prata e bronze, respectivamente, nas disputas individuais da competição. O Brasil levou, ainda, mais dois bronzes, nas disputas por equipes. Já nos Jogos de Tóquio 2020, o país conquistou três medalhas: uma prata com Bruna Alexandre e dois bronzes, sendo um por equipes e outro com Cátia Oliveira.



Para Paris 2024, tivemos 31 categorias (sim, 31), divididas entre solo (masculino e feminino) e dupla (masculino, feminino e misto). A estreia do Brasil foi com a dupla Claudio Massad e Luis Manara, pela categoria MD18 (para atletas andantes) contra a dupla número um do mundo: os espanhois Jorge Cardona e Ander Cepas. Superando as expectativas, os brasileiros venceram por 3x1 e avançaram para as quartas de final. No dia seguinte, Manara e Massad enfrentaram os donos da casa Thomas Bouvais e Mateo Boheas, e ganharam novamente por 3x1! Com o triunfo, que foi muito celebrado, a dupla garantiu pelo menos a medalha de bronze.

Já no sábado, os brasileiros disputaram a vaga na decisão contra os chineses Liu Chaodong e Zhao Yiqing, mas acabaram derrotados por 3x1 e ficaram para trás na briga pelo ouro.
“Chegamos como azarões, depois tiramos os primeiros do mundo, ganhamos contra os donos da casa. Eu queria uma medalha, independente da cor. Já teria o gosto do ouro pela campanha que a gente fez”, comemorou Luiz.
Outra dupla que merece destaque é Bruna Alexandre e Danielle Rauen. Bruna foi a primeira brasileira a subir ao pódio na modalidade. Já Danielle, também foi medalhista no Rio de Janeiro e em Tóquio. Em Paris, as duas iniciaram suas trajetórias diretamente nas quartas de final pela categoria WD17 contra as ucranianas Maryna Lytovchenko e Iryna Shynkarova, e venceram por 3x0, garantindo mais uma medalha para o Brasil. Na semifinal, a dupla enfrentou as australianas Lei Li Na e Yang Qian, e foi derrotada por 3x0 - mas a medalha já estava garantida, e a história, escrita.

“O sentimento é de alegria e de dever cumprido. Tínhamos o objetivo de chegar ao pódio. Treinamos muito as duplas, e deu resultado hoje. Estou muito feliz de estar aqui”, disse Bruna após sua quinta medalha paralímpica.
Por fim, dentre as duplas medalhistas, tivemos Cátia e Joyce Oliveira pela categoria WD5 (para cadeirantes). As brasileiras iniciaram a caminhada também nas quartas de final contra as egípcias Fawzia Elshamy e Ola Soliman, e passaram por 3x0. No dia seguinte, foi a vez das coreanas Su Yeon Seo e Jiyu Yoon. Todavia, as meninas brasileiras não foram páreas e saíram derrotadas por 3x0, levando o bronze. Cátia conquistou sua segunda medalha paralímpica, enquanto Joyce levou sua primeira.
“(A medalha) É nossa! Estamos muito felizes. Obrigado por cada torcida, estamos levando essa medalha pra casa. Mas ainda não acabou, vai começar o individual e nós vamos com tudo”, comemorou Cátia.

Bom, essas foram nossas duplas medalhistas, mas não focarei apenas nelas. Afinal, o esporte é muito mais do que um pedaço de metal no seu pescoço.
Deixo aqui o meu “muito obrigado” para Claudio Massad, Luis Manara, Cátia e Joyce Oliveira, Bruna Alexandre, Danielle Rauen, Israel Stroh, Paulo Salmin, Marliane Santos, Carla Azevedo, Jennyfer Parinos, Sophia Kelmer e Lucas Arabian. Vocês são incríveis e representam demais o nosso país. Muitas vitórias ainda estão por vir!




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