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Brasil segue invicto na Liga das Nações de vôlei feminino e mantém vivo o sonho pelo título inédito

Foto do escritor: Paula Midlej
Paula Midlej
30 de mai. de 2024
6 min de leitura
Foto: FIVB
Foto: FIVB


A Liga das Nações de Volêi é um dos campeonatos internacionais mais importantes da modalidade, tanto masculino quanto feminino. Além do troféu, as 16 melhores seleções do mundo competem pelas últimas vagas nos Jogos Olímpicos e, para as que já foram classificadas no Pré-Olímpico, o torneio serve como preparação. Esse é o caso do Brasil de José Roberto Guimarães em 2024.


É certo que as meninas possuem uma retrospectiva frustrante nas cinco edições da Liga. Em 2018, terminaram em quarto lugar. Nos três anos seguintes, se classificaram para as finais, e foram vice-campeãs em todas. Duas delas contra os EUA. No ano passado lutaram muito, mas caíram pelas mãos das chinesas nas quartas, e pode-se dizer que o time teve o seu pior desempenho. Esse ano, o sentimento é de empolgação e expectativa. O sonho do título vive. Pela primeira vez na história da Liga das Nações a seleção brasileira está invicta, com seis vitórias. Na tabela, divide liderança com a Polônia, que só perdeu um set até então.


A primeira vitória da edição de 2024 veio com uma atuação sólida contra o Canadá, marcada pelos ataques e bloqueios. No primeiro set, o Brasil abriu 1 a 0 na primeira parcial, com destaque para Ana Cristina, que fez 20 pontos na partida. O Canadá, no segundo set, encurralou o Brasil com saques fortes que mostraram a fragilidade da recepção brasileira e levaram ao empate. Enquanto no terceiro set as seleções não conseguiram se distanciar no marcador em uma disputa acirrada com más distribuições de jogadas por parte de Macris, o Brasil venceu o quarto set tranquilamente por 25 a 12 na parcial, e fechou o jogo contra o Canadá por 3 sets a 1.


Depois, o Brasil encarou um desafio mais tranquilo contra a Coreia do Sul. José Guimarães aproveitou para rodar o elenco. Das 14 jogadoras, apenas a líbero Nyeme não participou da partida. A seleção asiática pouco resistiu às brasileiras, que fecharam com 3 sets a 0. Ana Cristina foi destaque do time mais uma vez, com 18 pontos.


O terceiro jogo era também o que trazia mais expectativa. O Brasil enfrentou os Estados Unidos, que se tornaram algozes por conta das Olimpíadas de Tóquio e de duas decisões da Liga das Nações. Além da vitória por 3 sets a 1, o Brasil fez um dos seus melhores jogos. O aproveitamento no ataque foi de alto nível, com ótimas distribuições de Roberta e desafogo de Rosamaria. Quem fez a diferença no quarto e último set foi a camisa 15, Carol, que colocou o Brasil em vantagem depois de três pontos seguidos de bloqueio. Gabi, que foi a maior pontuadora ao anotar 24 pontos, afirmou em entrevista que “é isso o que a gente quer: agressividade”. A seleção brasileira e a torcida foram imparáveis. Encararam a partida como se fosse uma final.


Para fechar a passagem pelo Rio de Janeiro com chave de ouro, as meninas enfrentaram a Sérvia, que derrotou o Brasil na decisão do Mundial de 2022. Poupando suas jogadoras de destaque para Paris, a seleção sérvia não fez frente à brasileira. Resultado: 3 sets a 0, com mais um show da capitã e aniversariante Gabi, que marcou 15 pontos. Outros destaques foram Nyeme na defesa e Rosamaria nos cortes.



Foto: FIVB
Foto: FIVB


As meninas já sabiam que daí para frente seria mais difícil. O fato é que dar o primeiro passo com o pé direito foi o mais importante nessa semana considerada tão especial para o Brasil. A passagem pelo Rio só não foi completamente perfeita por causa da lesão de Julia Kudiess no primeiro set da partida contra a Sérvia, que determinou sua saída da Liga das Nações. Depois do incidente, ela apareceu chorando no banco de reservas e foi ovacionada pela torcida.


Passada a primeira semana no Maracanãzinho, os jogos foram para Macau, na China, e pela primeira vez na temporada a seleção contou com a central Thaisa, que estava ausente por problemas físicos. Jogando apenas no quarto set e no tie-break diante do Japão, foi ela quem fez a diferença na partida definida pela palavra paciência. O confronto foi um teste crucial para a equipe brasileira, pois a equipe japonesa é conhecida por sua grande qualidade da defesa e precisão e velocidade nos ataques de fundo de quadra, que exigem uma recepção do outro time muito bem preparada. Foi em 2023, em uma partida disputadíssima contra o Japão, que o Brasil garantiu sua vaga nas Olimpíadas de Paris, por 3 sets a 2.


No jogo, o Brasil até marcou o primeiro ponto, mas ao abrir vantagem, o Japão fez as rivais correrem atrás do placar até o empate em 16/16, com Rosamaria virando bolas importantes. Mesmo assim, não teve jeito. Perderam o primeiro set por 26/24. Já no segundo set, foi o Brasil quem abriu vantagem no início, mas não durou. O bloqueio de Carolana é gigantesco, mas a muralha não é imbatível. As japonesas alcançaram o placar e as duas equipes passaram a trocar pontos até a reta final, quando o Brasil se restabeleceu e fechou a parcial em 26/24.


No terceiro set, a seleção japonesa cresceu em cima das brasileiras que começaram a pecar na defesa, o que fez com que o Japão chegasse fácil a 21/12. Até mesmo quando José Guimarães trocou praticamente todo o time, não houve chance. Japão fechou em 25/19.

No quarto set, o Brasil voltou melhor e mais equilibrado. Nos saques e nos bloqueios, passou à frente no placar em 14/13 e, no embalo de Thaisa e Gabi, abriu vantagem até alcançar 25/20 e forçar o tie-break. O set decisivo foi semelhante ao quarto set. Thaisa bem no ataque e o Brasil abrindo vantagem logo no início. Foi assim que a seleção se manteve até o fim, com Gabi atuando muito bem como ponteira na defesa e no ataque. Vitória brasileira por 15/11 na última parcial por 3 sets a 2.


Ao superar o Japão, o Brasil consolidou o melhor início de sua história na VNL. Hoje, enfrentou a Holanda logo no início da manhã. Até agora, o histórico com a seleção neerlandesa é de invencibilidade. Em cinco jogos pela fase classificatória, incluindo o de hoje, todos terminaram com vitória do Brasil. O detalhe é que, se por um lado o Brasil já está classificado para Paris e totalmente focado no título inédito, a Holanda ainda está na briga por uma vaga olímpica. As neerlandesas prometeram e entregaram um gás a mais nessa partida, dando mais trabalho para nossas meninas do que os Estados Unidos na primeira semana e não foi à toa. Na luta por Paris, todo dia na VNL é como uma final.


O primeiro set foi de dominância total do verde e amarelo. Com ataques eficazes e muitos erros da Holanda, Brasil rapidamente abre 7/2. Mesmo com as rivais se recuperando, o resultado foi 25/17 na parcial, tendo o set point sido um presente de erro de saque de Knollema. No segundo set, Holanda voltou com outra energia, e fez uma parcial completamente inversa. O Brasil fez o primeiro ponto, mas logo foi apagado pelos saques fortes e ótima recepção de bola de Marring, e os bloqueios agressivos de Knollema e Baijens. De repente, as brasileiras começaram a pecar tanto na recepção quanto no ataque, o que ajudou a Holanda a arrancar no início com 8/2.


Mais uma vez, o sistema defensivo de José Guimarães mostrou suas deficiências. 7 pontos de contra-ataque para o lado neerlandês fizeram o time brasileiro tentar se recuperar até o fim com ajuda de intervenções cruciais de Gabi. Chegou um momento em que a distância do Brasil para as rivais no marcador era de 10 pontos. Assim como aconteceu contra o Japão, Thaisa entrou em quadra contra a Holanda nesse momento de instabilidade, e não saiu mais. Além dela, Rosamaria retornou e foi quem mudou o cenário, mas quando conseguiram reagir e marcaram 7 pontos seguidos, já era tarde demais. Set point para a Holanda, 25/20 na parcial.


O terceiro set começou equilibrado. As duas equipes começaram a trocar pontos e a se alternarem na liderança. A partir da vantagem, a seleção brasileira conseguiu administrar até fechar 25/20. A quarta e última parcial começou com dois bloqueios de Thaisa. A Holanda resistiu no início, mas depois do 7/7 o Brasil desgarrou e conquistou a vitória por 25/18. No resultado final, 3 a 1 para a seleção brasileira.



Crédito: CazéTV no X
Crédito: CazéTV no X


Ana Cristina foi o destaque nesta partida. Mais uma vez a maior pontuadora, com 19 pontos, explorando diferentes bolas. Logo atrás, aparece Gabi, que anotou 15 pontos.

O próximo jogo será contra a Itália, que está em terceiro lugar na tabela. A equipe italiana está com reforços mais que potentes para a segunda semana, como a oposta Paola Egonu e a líbero Monica De Gennaro. Além do mais, as italianas buscam ainda se classificarem para as Olimpíadas de Paris. Não dá para saber o que virá pela frente.


Uma coisa é certa: é evidente que a seleção brasileira, que tem uma história gloriosa no vôlei internacional, seguirá com atuação dominante e determinada na busca incansável pelo título inédito. As 30 jogadoras convocadas estão com força total, e não se pode dizer o mesmo de outras seleções que usam a Liga como teste. O elenco de peso está escrevendo uma história onde não há espaço para “bolas na rede”. Está na hora de transformar anos de frustração na VNL em triunfo, afinal, se Thaisa deixou a aposentadoria só para jogar mais uma vez ao lado de suas meninas, não dá para deixar o favoritismo pelo título escapar de suas mãos.

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