A tradição de subir ao pódio segue intacta


Sob a beleza da Torre Eiffel que nos trouxe o ouro com Ana Patrícia e Duda no vôlei de praia, a Seleção brasileira de futebol de cegos conquistou mais uma medalha para nossa história - a de bronze. Depois de uma eliminação doída na semifinal que, pela primeira vez na história, nos tirou o ouro nas Olimpíadas, nossos atletas conseguiram deixar a derrota de lado e foram imponentes na disputa pelo terceiro lugar. O Brasil estava invicto nas Paralímpiadas desde sua estreia em 2004, em Atenas, e chegou à semifinal repetindo o feito, sem ter perdido um jogo sequer.
Antes de detalhar a conquista do bronze, vamos relembrar a trajetória brasileira até esse jogo.
Com uma mudança no tempo de jogo, que de 40 minutos passou a ter 30, nossa seleção precisou se readaptar ao novo contexto já que, com menor tempo, equipes mais marcadoras conseguem resistir melhor. Isso dificulta o estilo do Brasil, que tem jogadas mais técnicas e habilidosas. Foi justamente isso que ocorreu na estreia, contra a Turquia. Mesmo com a vitória da seleção, dois dos três gols foram feitos com bola parada, devido à forte marcação dos adversários. Ainda assim, o Brasil teve um ótimo comportamento diante dessa pressão.
Pela segunda rodada, enfrentamos a França, atual finalista da competição, e vencemos pelo mesmo placar da estreia, 3 a 0, com a torcida da casa inflamando o jogo. Por fim, pela última rodada, empatamos contra a China em 0 a 0, ficando com a melhor campanha na fase de grupos, o que nos levou a enfrentar a Argentina na semifinal.
Com o jogo no tempo normal terminado sem gols, a disputa pela classificação à final contra a Argentina foi para os pênaltis. Após a quarta cobrança, com bola na trave de Ricardinho, a disputa terminou em 4 a 3 para os argentinos. Coincidentemente, o último revés sofrido pela Seleção foi em maio deste ano, no Grand Prix da IBSA, justamente na semifinal e também nos pênaltis.
Com poucas chances claras para os dois lados, o jogo como um todo foi bastante morno, sendo as mais perigosas para o Brasil. As bolas acabaram parando nas mãos do goleiro argentino Muleck. Nos pênaltis, ele foi feliz de novo, defendendo dois dos três perdidos pela nossa Seleção, e levando os hermanos à final contra os donos da casa, os franceses.
Porém, nem tudo estava perdido, já que o Brasil foi disputar o bronze, contra a Colômbia, e teve a chance de seguir com a tradição de subir ao pódio de todas as edições das Paralimpíadas. O adversário acumulou duas vitórias e um empate na trajetória paralímpica, obtendo o mesmo desempenho do Brasil.
Nosso país, até a semifinal, teve em 30 jogos, 23 vitórias e 7 empates, com 60 gols marcados e apenas 6 sofridos. Mesmo com o resultado reverso e o pênalti perdido, Ricardinho, eleito três vezes melhor jogador do mundo e com quatro medalhas paralímpicas, junto a Jeffinho, também tetra campeão paralímpico, seriam essenciais com suas experiências para não deixar a derrota impactar o mental dos jogadores.
Dito e certo: o protagonista do jogo foi Jeffinho, que já no segundo tempo fez uma bela jogada, passando por todos os marcadores da Colômbia, e acertou um lindo chute, sem dar sequer a oportunidade para o goleiro tocar na bola. Um golaço!

A expectativa era de chegar à final, claro, mas nenhuma equipe fica para sempre sem perder. E assim, realmente cogitaram o Brasil sair sem medalha? Estamos falando da maior e única campeã dos jogos. Ou seja, todos que forem enfrentar o Brasil devem, no mínimo, vir com muito respeito, pois nossa qualidade é alta e a tendência é que continue assim, sempre.




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