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106 vezes Lewis Hamilton: o retorno do ‘Patrão’

Pedro Sousa
4 de jul.
2 min de leitura
Crédito: Fórmula 1
Crédito: Fórmula 1

Quando Lewis Hamilton cruzou a linha de chegada em primeiro lugar no Grande Prêmio da Espanha de 2026, alguns marcos pessoais e históricos foram alcançados. Além de ser a primeira vitória daquele que é considerado por muitos o maior de todos os tempos da Fórmula 1 pela equipe mais bem-sucedida da categoria, a conquista significou o fim do quarto pior jejum da história da Ferrari – 34 GPs sem subir ao lugar mais alto do pódio. Em nível individual, seu último triunfo havia sido há mais de 600 dias, no circuito de Spa-Francorchamps, em 2024.


O público, que no passado o vaiou e proferiu ataques racistas em meio à ferrenha rivalidade com Fernando Alonso, dessa vez se rendeu e aplaudiu o momento histórico durante a cerimônia de pódio. O no 44 se tornou o primeiro piloto da história a vencer corridas pelas três equipes com mais vitórias na Fórmula 1: McLaren, Mercedes e, agora, Ferrari.


O inglês se tornou também o vencedor mais velho de uma corrida na F1 nos últimos 56 anos. Antes dele, Jack Brabham venceu o GP da África do Sul de 1970 aos 43 anos. Hamilton alcançou o feito aos 41 e afastou os rumores sobre decadência e aposentadoria iminente ao assumir provisoriamente a vice-liderança do campeonato de pilotos.


Embora a vitória de George Russell na Áustria tenha deslocado o heptacampeão novamente para a terceira posição, Hamilton segue em boa forma e conquistou a pole position para a Sprint do GP da Grã-Bretanha. Com a aparente queda de desempenho do líder do Mundial, Kimi Antonelli, o momento pode representar o início de uma recuperação que pode culminar, por que não, em uma disputa pelo oitavo título.


A melhora de desempenho já era esperada pelos fãs do inglês desde a pré-temporada, já que o novo regulamento tende a favorecer seu estilo de pilotagem, sobretudo em comparação com o antigo "efeito solo".


Além disso, a evolução não poderia vir em melhor hora. Após viver sua pior temporada na F1 em 2025 – quando sequer subiu ao pódio pela primeira vez na carreira –, rumores de que a Ferrari já pensava em promover o prodígio Oliver Bearman surgiram na mídia. Hamilton respondeu à altura e tem superado confortavelmente o companheiro de equipe Charles Leclerc. Não que seu currículo não fosse suficiente para que a decisão de permanecer ou não na categoria estivesse sob seu pleno controle. Mas, agora, parece impensável, para ambas as partes, cogitar uma ruptura precoce.


Fato é que a história do primeiro piloto negro a ser campeão da principal categoria do automobilismo segue ganhando capítulos mágicos, mesmo após quase duas décadas de sua estreia. Se depender apenas da fome de Hamilton, essa trajetória está longe de acabar, e mais números e recordes podem ser adicionados ao seu nome.

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