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Resiliência e união: como o Orlando Magic construiu um dos melhores elencos da NBA

Antonio Marzaro
14 de jan. de 2025
5 min de leitura
Franz Wagner, Paolo Banchero e Jalen Suggs: o trio de Orlando - Foto: Orlando Magic
Franz Wagner, Paolo Banchero e Jalen Suggs: o trio de Orlando - Foto: Orlando Magic

Imagine você jogar o campeonato de basquete mais disputado do mundo sem seus dois melhores jogadores. Meio que ferrou, né? Não para o Orlando Magic. O time da Flórida ocupa a 5ª posição da conferência leste na NBA sem suas jovens estrelas e briga seriamente para os playoffs. A formação de uma equipe completa foi a chave. Mas como ela foi formada? Vamos voltar para 25 de março de 2021, quando o pivô Nikola Vucevic e o ala-pivô Aaron Gordon foram trocados e deixaram a Flórida a caminho de Chicago e Denver, respectivamente. Neste dia, Orlando abriu mão dos seus melhores jogadores e entrou em reconstrução.


Visto com bons olhos pela torcida, o rebuild é um movimento comum entre as franquias da NBA que desejam investir em um projeto para o futuro, tirando o foco em títulos e até perdendo “de propósito” (estratégia conhecida como tanking) para garantir boas escolhas no draft (dia em que jovens jogadores, que geralmente saem da faculdade, são escolhidos, com ordem determinada pelo desempenho dos times).


Após trocar seus principais ativos, o Magic entrou em uma sequência de jogos perdidos até o final da temporada 20/21, terminando com 51 derrotas e somente 21 vitórias. Logo em seguida, efetivou Jamahl Mosley como treinador principal. Mosley era assistente técnico desde 2010 e Orlando foi seu primeiro trabalho como head coach. Naquele draft, com as escolhas n° 5 e n° 8, o time da Flórida escolheu Jalen Suggs e Franz Wagner.


Jalen era um armador atlético, com ótima defesa e muito bem projetado. Já Franz era um ala alto, versátil e pronto para o nível da NBA. Nesta season (21/22), Orlando tinha um time fraco com algumas promessas tentando achar seu espaço, o que ocasionou numa temporada de 60 derrotas e 22 vitórias, terminando em último lugar na conferência leste e garantindo a primeira escolha do draft de 2022. Aqui as coisas começaram a ficar interessantes.


Com a primeira escolha, o Orlando Magic seleciona Paolo Banchero. Um ala-pivô extremamente preparado para a NBA que podia jogar de várias formas e vinha de um ano brutal no basquete universitário. A nova cara da franquia foi escolhida, agora era jogar e evoluir os prospectos do time.


Já em sua estreia, o novato teve médias de 27 pontos, pegou 9 rebotes e deu 5 assistências por jogo, sendo o primeiro estreante a anotar pelo menos um 25/5/5 desde LeBron James. Ali ficou claro: aquele menino era especial. Apesar disso, a temporada foi de derrotas, vencendo 34 e perdendo 48 jogos, terminando em 13º na conferência. Uma melhora significativa comparada ao ano passado. Banchero terminou com o prêmio de “Novato do Ano” e Orlando foi para o draft de 2023 com as escolhas n° 6 e n° 11.


Os selecionados foram Anthony Black e Jett Howard. Black era um armador muito alto, atlético e um defensor tremendo, mas com um arremesso de 3 contestável. Já Howard era um arremessador nato e… nada mais. Foi uma pick muito questionada em uma posição tão alta para um jogador limitado.


O elenco para 2023-24 estava montado: Markelle Fultz (1ª escolha de 2017 que sofreu com lesões e ganhou uma nova chance em Orlando), Jalen Suggs, Franz Wagner, Paolo Banchero e Wendell Carter Jr (pivô advindo da troca de Vucevic). Vindo do banco, Cole Anthony (armador que liderou o time no tank e foi a 15ª escolha em 2020) Anthony Black, Gary Harris (ala-armador que veio da troca por Gordon), Joe Ingles (ala veterano com ótimo arremesso de 3), Jonathan Isaac (ala-pivô e 6ª escolha de 2018 que sempre lidou com lesões), Moritz Wagner (pivô e irmão do ala Franz) e Goga Bitadze (pivô selecionado em 2019 que se achou em Orlando).


Todos comandados por Jamahl Mosley, que levou o time à segunda melhor defesa da NBA, quinto time com mais roubos de bola, terceiro que mais gerou erros ao adversário, potencializou Suggs, que terminou na seleção ideal de defensores daquela temporada, e Banchero, que foi all-star pela primeira vez na carreira. Tais feitos renderam o 5º lugar do leste com 47 vitórias e 35 derrotas.


Meus amigos, o rebuild estava concluído. Mas ainda faltavam os playoffs a serem disputados, e a série contra o 4º colocado Cleveland Cavaliers foi gigante. Dois dos melhores times defensivos da liga se enfrentaram logo na primeira rodada. Nas duas primeiras partidas, em Cleveland, os Cavs venceram e abriram 2x0 na série. Já no terceiro jogo, em Orlando, o Magic acordou e dominou, vencendo por 38 pontos de diferença (121 x 83) e, em seguida, empatando em 2x2 após outro atropelo por 23 pontos (112 x 89). De volta a Ohio, os Cavs venceram por apenas 1 ponto (104 x 103) e precisavam de mais uma vitória para se classificarem, mas Orlando queria o jogo 7 e venceu o 6º confronto em casa por 103 x 96. No jogo decisivo, o time foi mal. Franz, Paolo e Suggs tiveram partidas péssimas e o confronto terminou com a classificação para o time de Donovan Mitchell.


Todavia, o saldo da temporada foi extremamente positivo. Mesmo com problemas claros de arremesso para 3 pontos, o futuro era mais que brilhante para os meninos da Flórida. No draft de 2024, o Magic selecionou o alemão com ascendência brasileira Tristan da Silva na 18ª escolha e, na Free Agency, trouxe Kentavious Caldwell-Pope. Tristan era um ala versátil com arremesso e muito QI de basquete. Já KCP, ala-armador duas vezes campeão da NBA, era um dos melhores defensores da liga e arremessador consistente, se encaixando perfeitamente na rotação. Mas Markelle Fultz e Joe Ingles deixaram o elenco.


Para 24/25, o quinteto inicial de Jalen Suggs, Kentavious Caldwell-Pope, Franz Wagner, Paolo Banchero e Wendell Carter Jr prometia dar trabalho para a liga, mas uma lesão de Banchero no quinto jogo do ano adiou o planejamento. E tudo ficou pior quando Franz Wagner também se machucou um mês depois. Duas lesões parecidas tiraram as duas estrelas da equipe por tempo indeterminado. Mas veio a terceira com Moritz Wagner rompendo o LCA (lesão no joelho) e encerrando sua temporada. Aí deu ruim, né?


Não para Jamahl Mosley e seus comandados, que mantiveram um recorde de 10-0 jogando em casa, vencendo 17 e perdendo 9 até a lesão de Franz. Desde então, foram 6 triunfos e 8 derrotas. Dentre os êxitos, uma vitória contra os atuais campeões Boston Celtics, uma virada contra os rivais do Miami Heat, as ascensões de Goga Bitadze, Tristan da Silva e Trevelin Queen (um jogador pouco conhecido que veio da liga de desenvolvimento da NBA). O Orlando Magic é tido como a equipe mais resiliente da liga.


Mas, na última sexta-feira, 10, tivemos o retorno de Paolo Banchero ao time. Foram dois meses de recuperação que não foram traduzidos em vitória, mas com uma atuação gigantesca contra o Milwaukee Bucks (109 x 106). Foram 34 pontos, 7 rebotes e 62% de aproveitamento nos arremessos de 3 pontos. Tudo isso em apenas 27 minutos.


Metade da temporada regular já se passou e o futuro é brilhante no lado mágico da Flórida. Espero comemorar muitas glórias com este time, que escolhi torcer em 2018. Mas, caso não venham vitórias, tenho certeza que virão histórias, ídolos e jogos inesquecíveis.

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