Azul com branco vira amarelo? Como a camisa canarinho passou a vestir a Seleção Brasileira


Em ano de Copa do Mundo não existe nada mais simbólico do que estampar no corpo a camisa da sua seleção e sair pelas ruas no aguardo do próximo jogo para torcer. Mas, você sabe como a famosa camisa amarela, ou melhor, a camisa Canarinho passou a ser emblema do Brasil na copa?
Foi após a traumática derrota de 2x1 para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, também conhecida como ‘Maracanazo’, onde a Seleção ainda vestia o manto azul e branco. Esse trágico momento, representou o marco da aposentadoria da insossa camisa branca em conjunto com o calção azul em busca de um nova vestimenta que refletisse a vibrante identidade da bandeira nacional.

Para isso, anos mais tarde, em 1953, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) - gestora do futebol brasileiro da época - em parceria com o jornal carioca Correio da Manhã promoveu um concurso para a escolha da nova imagem do time. Desse modo, o principal pré-requisito para participar da seletiva era a presença das quatro cores da bandeira brasileira no uniforme inscrito. O concurso repercutiu em diferentes instâncias do país, sendo comentado dentro e fora do futebol.

Embora houvesse, nos anos 50, um apelo pela camisa amarela, em 1916 isso era considerado uma ideia estapafúrdia. No campeonato Sul-Americano do mesmo ano, em solo Argentino, o Brasil vestiu verde e amarelo e sofreu rechaço da elite brasileira que não concordava com a presença das cores nacionais dentro de campo.
Com cerca de 300 concorrentes, o concurso da CBD foi um suspiro de ânimo para uma nação que buscava se reerguer no futebol. Entretanto, foi um gaúcho, que viveu a maior parte da vida em Jaguarão, fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, que venceu a disputa. Aldyr Garcia Schlee, jovem ilustrador e torcedor da seleção rival, afirmou que desenhou diversos rascunhos antes da versão definitiva aprovada pela seletiva. Além disso, o artista relatou que seu maior desafio havia sido unir todas as cores da bandeira sem que uma ofuscasse outra, mas sim que tornassem bem juntas. No fim, a camisa amarelo-ouro com detalhes em verde e calção azul se destacou e virou o símbolo mais brasileiro possível do futebol: A famosa camisa canarinho.

A estreia com a nova vestimenta não ocorreu como esperado, o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1954, na Suíça, após uma derrota de 4 a 2 para a Hungria. Apesar do mau início, o uniforme permaneceu como ícone nacional e seria consagrado no mundial seguinte, em 1958: O primeiro título brasileiro em copas. Nos anos seguintes também, os campeonatos de 1962 e 1970, destacados pela presença de gênios da pelota como Garrincha, Jairzinho e Pelé.

A camisa amarelinha, elemento simbólico do “Futebol Arte” da Seleção Brasileira, passou por significações que - por vezes de maneira incoerente e autoritária - ultrapassaram as barreiras do estádio. Ainda assim, mais uma vez em ano eufórico de Copa do Mundo, a população se une e sai às ruas, com seus uniformes, preparada para retomar o domínio esportivo e social da histórica indumentária. A pergunta esperançosa que fica é: Será que, em 2026, o lendário canto do canarinho será ouvido em todos os cantos para a comemoração do Hexa brasileiro?




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