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Azul com branco vira amarelo? Como a camisa canarinho passou a vestir a Seleção Brasileira

Foto do escritor: Daiana Oliveira
Daiana Oliveira
7 de jun.
3 min de leitura
Desenhos de jogadores com modelos de camisas - Acervo Aldyr Schlee, 1953
Desenhos de jogadores com modelos de camisas - Acervo Aldyr Schlee, 1953

Em ano de Copa do Mundo não existe nada mais simbólico do que estampar no corpo a camisa da sua seleção e sair pelas ruas no aguardo do próximo jogo para torcer. Mas, você sabe como a famosa camisa amarela, ou melhor, a camisa Canarinho passou a ser emblema do Brasil na copa?


Foi após a traumática derrota de 2x1 para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, também conhecida como ‘Maracanazo’, onde a Seleção ainda vestia o manto azul e branco. Esse trágico momento, representou o marco da aposentadoria da insossa camisa branca em conjunto com o calção azul em busca de um nova vestimenta que refletisse a vibrante identidade da bandeira nacional.


Réplica da Camisa usada pela Seleção Brasileira - Acervo Museu do Futebol, 1930
Réplica da Camisa usada pela Seleção Brasileira - Acervo Museu do Futebol, 1930

Para isso, anos mais tarde, em 1953, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) - gestora do futebol brasileiro da época - em parceria com o jornal carioca Correio da Manhã promoveu um concurso para a escolha da nova imagem do time. Desse modo, o principal pré-requisito para participar da seletiva era a presença das quatro cores da bandeira brasileira no uniforme inscrito. O concurso repercutiu em diferentes instâncias do país, sendo comentado dentro e fora do futebol.


Acervo Jornal Correio da Manhã, 1953
Acervo Jornal Correio da Manhã, 1953

Embora houvesse, nos anos 50, um apelo pela camisa amarela, em 1916 isso era considerado uma ideia estapafúrdia. No campeonato Sul-Americano do mesmo ano, em solo Argentino, o Brasil vestiu verde e amarelo e sofreu rechaço da elite brasileira que não concordava com a presença das cores nacionais dentro de campo.


Com cerca de 300 concorrentes, o concurso da CBD foi um suspiro de ânimo para uma nação que buscava se reerguer no futebol. Entretanto, foi um gaúcho, que viveu a maior parte da vida em Jaguarão, fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, que venceu a disputa. Aldyr Garcia Schlee, jovem ilustrador e torcedor da seleção rival, afirmou que desenhou diversos rascunhos antes da versão definitiva aprovada pela seletiva. Além disso, o artista relatou que seu maior desafio havia sido unir todas as cores da bandeira sem que uma ofuscasse outra, mas sim que tornassem bem juntas. No fim, a camisa amarelo-ouro com detalhes em verde e calção azul se destacou e virou o símbolo mais brasileiro possível do futebol: A famosa camisa canarinho.


Esboços e rabiscos de Schlee - Acervo Aldyr Schlee, 1953
Esboços e rabiscos de Schlee - Acervo Aldyr Schlee, 1953

A estreia com a nova vestimenta não ocorreu como esperado, o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1954, na Suíça, após uma derrota de 4 a 2 para a Hungria. Apesar do mau início, o uniforme permaneceu como ícone nacional e seria consagrado no mundial seguinte, em 1958: O primeiro título brasileiro em copas. Nos anos seguintes também, os campeonatos de 1962 e 1970, destacados pela presença de gênios da pelota como Garrincha, Jairzinho e Pelé.


Seleção Brasileira de 1970. Domínio Público
Seleção Brasileira de 1970. Domínio Público

A camisa amarelinha, elemento simbólico do “Futebol Arte” da Seleção Brasileira, passou por significações que - por vezes de maneira incoerente e autoritária - ultrapassaram as barreiras do estádio. Ainda assim, mais uma vez em ano eufórico de Copa do Mundo, a população se une e sai às ruas, com seus uniformes, preparada para retomar o domínio esportivo e social da histórica indumentária. A pergunta esperançosa que fica é: Será que, em 2026, o lendário canto do canarinho será ouvido em todos os cantos para a comemoração do Hexa brasileiro?

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