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O maior BAVI que não aconteceu

Foto do escritor: Eric Tavares
Eric Tavares
20 de ago.
5 min de leitura

O BAVI é o maior clássico da região Nordeste e um dos maiores do Brasil. Como todo grande clássico, Bahia e Vitória já se enfrentaram em diversas decisões em mata-mata regionais e estaduais, mas ficaram restritas à essas duas esferas. No entanto, os dois clubes já estiveram muito perto de fazer um grande clássico em uma competição internacional. Melhor ainda: valendo vaga nas semifinais. No domingo, Bahia e Vitória se encontram no Barradão para um decisivo BAVI, mas hoje convido os leitores a relembrarem o maior clássico que nunca aconteceu.


O ano era 2014 e a dupla BAVI vivia um período bem diferente do atual. O Vitória estava em um auge esportivo nunca antes visto, enquanto o Bahia havia acabado de passar por uma intervenção, que retirou a família Guimarães do controle do clube.


Reprodução: Globo Esporte
Reprodução: Globo Esporte

A disparidade entre os cenários dos rivais resultou no domínio rubro negro nos clássicos. Em 2012, o Vitória aplicou 5x1 na reinauguração da Arena Fonte Nova, casa do Bahia. Um mês depois, outra goleada: o 7x3, com quatro gols de Dinei, também na Fonte Nova. Um placar de 12x4 em clássicos em apenas um mês.


2014, no entanto, começou diferente. No estadual, o Bahia conquistou o título no Barradão. No brasileirão, um empate e uma vitória para o Vitória. O resultado geral estava empatado, então os times precisavam de uma chance para desempatar.


Os dois pólos na Sul-Americana


A dupla BAVI encontrou a possibilidade na Copa Sul-Americana de 2014. O Vitória por ser 5° colocado em uma época que apenas os quatro primeiros iam para a Libertadores; o Bahia, graças ao título da Copa Libertadores do Atlético-MG.


Na época, a competição era um torneio de mata-mata do início ao fim. Os rivais entraram na segunda rodada. Nos confrontos, dois brasileiros: o Vitória enfrentaria o Sport no clássico regional, enquanto o Bahia encontraria o Internacional. Porém, o que chamava a atenção não eram os adversários, mas a chave: a dupla BAVI poderia se encontrar em uma possível quartas de finais. Pela primeira vez, os rivais poderiam se enfrentar em uma competição internacional.


Reprodução: Conmebol
Reprodução: Conmebol

Tudo ocorreu bem no começo. O Vitória superou o Sport na Ilha do Retiro e no Barradão (1x0 e 2x1) e avançou para as oitavas de finais. O Bahia fez um feito inédito até os dias de hoje na Era City: venceu o Internacional no Beira-Rio. Nos últimos 12 anos, o tricolor venceu o time gaucho no Rio Grande do Sul apenas mais uma vez, em 2026. O triunfo por 2x0 e o empate em 1x1 na Fonte Nova colocaram o tricolor nas oitavas de finais. Faltava apenas um obstáculo para os dois rivais.


Reprodução: Agência AFP/Globo Esporte
Reprodução: Agência AFP/Globo Esporte

Nas chaves, o Vitória encontraria pela frente o Atlético Nacional, da Colômbia. Para o Bahia, o enfrentaria o César Vallejo, do Peru. O rubro negro decidiria o confronto em casa; o tricolor, em terras estrangeiras. Por isso, os cenários dos primeiros jogos, apesar de diferentes, eram positivos para a dupla.


No dia 01 de outubro, o Vitória entrou em campo com apenas três titulares no Estádio Atanasio Girardot, na Colômbia, para a primeira partida contra o Atlético Nacional. O time colombiano iniciou os trabalhos com um golaço de falta do meia Bocanegra. Apesar do gol no início, o rubro negro foi dominante durante todo o primeiro tempo, obrigando diversas defesas do goleiro Armani (aquele). No final da primeira etapa, o zagueiro Ednei empatou o jogo.


No segundo tempo, William Henrique virou o jogo em um contra-ataque do rubro negro. O Atlético Nacional pressionou e poucos minutos depois conseguiu empatar com um gol de pênalti. O placar continou 2x2 até o fim e o rubro negro voltaria para o Brasil precisando apenas não perder para o time colombiano no Barradão, pois passaria pelos gols fora.


No mesmo dia, o Bahia encontraria o César Vallejo na Fonte Nova. Em um jogo de poucas chances, a cabeçada de Titi, aos 19 minutos do segundo tempo, abriu o placar para o tricolor. 15 minutos depois, William Barbio ampliaria o placar. O Bahia até poderia levar uma vantagem mais confortável para o Peru, mas a partida terminou em 2x0. Um erro que custaria caro.


Reprodução: Agência AFP/Globo Esporte
Reprodução: Agência AFP/Globo Esporte

A tragédia de outubro


Os jogos da volta ocorreram duas semanas depois. No dia 15, o Bahia segurou o César Vallejo no Peru até os 37 minutos do segundo tempo, quando o time peruano conseguiu marcar dois gols em menos de 10 minutos. Com o placar agregado empatado, o jogo foi para a disputa de pênaltis, que se arrastou até os goleiros. Mesmo com o César Vallejo errando duas cobranças nas batidas normais e o Bahia tendo duas chances de conseguir a classificação nos pênaltis alternados, o tricolor conseguiu ser eliminado após cobrança perdida de Marcelo Lomba. Uma verdadeira pipoca baiana.


Reprodução: RPP Notícias
Reprodução: RPP Notícias

As coisas poderiam ser um pouco melhores para o Vitória, mas não foram. O rubro negro perdia para o Atlético Nacional até o final do segundo tempo, quando Luís Aguiar lançou Dinei no espaço vazio. O atacante, frio, estufou as redes. No entanto, o bandeira argentino Diego Bonfá, mal posicionado, marcou impedimento. Em uma época sem VAR, o árbitro não viu que o atacante do Vitória estava gritantemente em posição legal. Um erro crasso que custou a classificação do time baiano e enterrou de vez o sonho da dupla BAVI. A imagem do final do jogo mostravam dois mundos diferentes: os rubro negros revoltados e os colombianos, comemorando.


Reprodução: ECV Memória/Globo Esporte/YouTube
Reprodução: ECV Memória/Globo Esporte/YouTube

O Atlético Nacional foi finalista daquela edição, perdendo a final para o River Plate. Se não teve clássico BAVI naquela edição da Sul-Americana, teve um argentino: River e Boca se encontraram nas semifinais daquele ano.


“A saída [da Sul-Americana] significa nos dar condição de concentrar mais no campeonato brasileiro”, comentou o técnico Ney Franco na coletiva após o jogo.


A tragédia de dezembro


As eliminações na Sul-Americana não encerraram a temporada da dupla BAVI. Durante toda a campanha, Bahia e Vitória disputavam ponto a ponto na luta contra o rebaixamento. A condição era ainda mais surpreendente para o rubro negro, que havia sido o 5° colocado na edição anterior.


Na última rodada, apenas um deles poderia se salvar da degola. Todo o foco estava no Palmeiras, que precisava perder para o Atlético-PR (na época não existia H). Para o tricolor o cenário era ainda pior, pois precisaria que o rival não vencesse o Santos no Barradão.


O Bahia até abriu 2x0 contra o Coritiba no Couto Pereira, mas, para selar um ano de apagões, tomou a virada e foi rebaixado para a série B, em 2015. Para o Vitória, o gol de Thiago Ribeiro nos acréscimos confirmou o descenso. Em dois meses, o maior clássico baiano passou de um possível confronto internacional para o segundo escalão do futebol brasileiro.

Reprodução: Felipe Oliveira/Globo Esporte
Reprodução: Felipe Oliveira/Globo Esporte

2014 foi um ano trágico para o futebol baiano. Bahia e Vitória brincaram de entregar expectativas para seus torcedores e frustrá-los das piores maneiras possíveis. O Bahia perdeu uma vaga em 10 minutos, o Vitória, mesmo com erros de arbitragem, entregou uma partida no Barradão. No final, o tricolor conseguiu tomar uma virada mesmo tendo 2x0 no placar, enquanto o rubro negro foi rebaixado em pleno Barradão após entregar a melhor campanha de um nordestino na temporada anterior. Campanhas frustrantes que perseguem o futebol baiano até os dias de hoje, 12 anos depois.


A tragédia de dezembro não é triste apenas olhando o ano de 2014, mas também por separar os rivais em dois momentos distintos. O Vitória nunca se recuperou. Mesmo voltando para a série A em 2015, passou a conviver com quedas para a série B e voltou a frequentar a série C em 2022. Para o Bahia, os frutos do período democrático não chegaram de imediato, mas o time se manteve na série A por cinco anos seguidos entre 2017 e 2021. Mesmo assim, se negava a dar um passo à frente e continuou batendo na trave em mata-matas.


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