A esperança é do tamanho do mar: a histórica trajetória cabo-verdiana na copa


Na teoria, 530 mil pessoas pulsando pela sua primeira participação em Copa do Mundo, na prática, quase o mundo inteiro junto com eles. O novato diante um grupo com campeões mundiais, mas, ao mesmo tempo, a representação da alegria de um povo em ver sua seleção disputando a maior competição do mundo. Resultado final? Cabo Verde tornou-se a menor nação de todos os mundiais a jogar uma fase eliminatória, marcando a noite de 3 de julho para sempre nas histórias da Copa.
Tudo começou após sua vitória por 3 x 0, contra Eswatini, nas Eliminatórias Africanas, que os classificou para seu primeiro mundial, acumulando um desempenho de sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Mesmo diante de todo o cenário de ser um estreante, ainda se conhecia muito pouco dos tubarões azuis, até a grande atuação contra uma das favoritas ao título, a Espanha.
Um zero a zero típico de jogo de um time só, mas que sempre precisa de seus protagonistas, eleito o melhor da partida e se tornando um dos grandes da Copa: o goleiro Vozinha. Um nome que se explica por conta própria, conquistando muitos em tão pouco tempo, realizando seu sonho aos 40 anos, carregando uma linda história.

Nos jogos seguintes, as emoções seguiram rondando Cabo Verde. Contra o Uruguai e a Arábia Saudita, a seleção viveu momentos de marcar seus primeiros gols em Copas do Mundo e de resistir até o último segundo em busca do resultado. O roteiro teve altos e baixos, mas a garra e a determinação seguiram intactas, independentemente do adversário.
Nas oitavas de final contra a atual campeã do mundo, não deixou de ser diferente. Para quem imaginou mais um passeio argentino no torneio, esqueceu que do outro lado tinha um povo a ser honrado e representado, protagonizando o melhor jogo da copa, até o momento.

Aos 59 minutos, em um cenário de ótimo controle de jogo e sem se retrair, Deroy Duarte não tomou conhecimento da defesa argentina e empatou o jogo, dando uma luz de esperança para todos os tubarões azuis, encaminhando o início de uma noite histórica, levando o jogo à prorrogação. Mesmo voltando a ficar atrás do placar, no minuto 102, Sidny Cabral resolveu calar os milhares de argentinos presentes em Miami, fazendo ecoar os gritos de felicidade dos cabo-verdianos, empatando o jogo e se tornando o autor do gol mais bonito da copa.

Infelizmente o resultado final não foi positivo, mas a história com certeza foi escrita. Uma seleção muito organizada e dedicada, com total mérito a Pedro Brito, o Bubista, batendo de frente com grandes campeões, fazendo-os se entregar mais do que sabiam que eram capazes.
O choro no fim do jogo teve um gosto de que faltou muito pouco, mas esse “quase” não pode ocultar a trajetória histórica feita. Cabo Verde representou toda sua nação e eles devem sair mais do que orgulhosos com o que fizeram, sendo uma clara demonstração do início de um capítulo que tem tudo para ser lindo. Como dito no seu hino, “A esperança é do tamanho do Mar", e o futebol nos mostrou, mais uma vez, o porquê dele ser tão especial.




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