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A esperança é do tamanho do mar: a histórica trajetória cabo-verdiana na copa

Foto do escritor: Natália Lemos
Natália Lemos
4 de jul.
2 min de leitura
Foto: Michael Steele/Getty Images
Foto: Michael Steele/Getty Images

Na teoria, 530 mil pessoas pulsando pela sua primeira participação em Copa do Mundo, na prática, quase o mundo inteiro junto com eles. O novato diante um grupo com campeões mundiais, mas, ao mesmo tempo, a representação da alegria de um povo em ver sua seleção disputando a maior competição do mundo. Resultado final? Cabo Verde tornou-se a menor nação de todos os mundiais a jogar uma fase eliminatória, marcando a noite de 3 de julho para sempre nas histórias da Copa. 


Tudo começou após sua vitória por 3 x 0, contra Eswatini, nas Eliminatórias Africanas, que os classificou para seu primeiro mundial, acumulando um desempenho de sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Mesmo diante de todo o cenário de ser um estreante, ainda se conhecia muito pouco dos tubarões azuis, até a grande atuação contra uma das favoritas ao título, a Espanha. 


Um zero a zero típico de jogo de um time só, mas que sempre precisa de seus protagonistas, eleito o melhor da partida e se tornando um dos grandes da Copa: o goleiro Vozinha. Um nome que se explica por conta própria, conquistando muitos em tão pouco tempo, realizando seu sonho aos 40 anos, carregando uma linda história.


Foto: ROBERTO SCHMIDT/AFP
Foto: ROBERTO SCHMIDT/AFP

Nos jogos seguintes, as emoções seguiram rondando Cabo Verde. Contra o Uruguai e a Arábia Saudita, a seleção viveu momentos de marcar seus primeiros gols em Copas do Mundo e de resistir até o último segundo em busca do resultado. O roteiro teve altos e baixos, mas a garra e a determinação seguiram intactas, independentemente do adversário. 


Nas oitavas de final contra a atual campeã do mundo, não deixou de ser diferente. Para quem imaginou mais um passeio argentino no torneio, esqueceu que do outro lado tinha um povo a ser honrado e representado, protagonizando o melhor jogo da copa, até o momento.


Reprodução: X / @TrollFootball
Reprodução: X / @TrollFootball

Aos 59 minutos, em um cenário de ótimo controle de jogo e sem se retrair, Deroy Duarte não tomou conhecimento da defesa argentina e empatou o jogo, dando uma luz de esperança para todos os tubarões azuis, encaminhando o início de uma noite histórica, levando o jogo à prorrogação. Mesmo voltando a ficar atrás do placar, no minuto 102, Sidny Cabral resolveu calar os milhares de argentinos presentes em Miami, fazendo ecoar os gritos de felicidade dos cabo-verdianos, empatando o jogo e se tornando o autor do gol mais bonito da copa.


Foto: Michael Reaves/Getty Images/AFP
Foto: Michael Reaves/Getty Images/AFP

Infelizmente o resultado final não foi positivo, mas a história com certeza foi escrita. Uma seleção muito organizada e dedicada, com total mérito a Pedro Brito, o Bubista, batendo de frente com grandes campeões, fazendo-os se entregar mais do que sabiam que eram capazes. 


O choro no fim do jogo teve um gosto de que faltou muito pouco, mas esse “quase” não pode ocultar a trajetória histórica feita. Cabo Verde representou toda sua nação e eles devem sair mais do que orgulhosos com o que fizeram, sendo uma clara demonstração do início de um capítulo que tem tudo para ser lindo. Como dito no seu hino,  “A esperança é do tamanho do Mar", e o futebol nos mostrou, mais uma vez, o porquê dele ser tão especial.




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