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Zucoluna - O brasileiro precisa acabar com a Neymardependência

Foto do escritor: David Zuco
David Zuco
5 de jul. de 2024
3 min de leitura

Atualizado: 8 de mar.

Neymar Júnior, na sua estreia pela Seleção Brasileira. Foto: Jeff Zelevansky/Getty Images
Neymar Júnior, na sua estreia pela Seleção Brasileira. Foto: Jeff Zelevansky/Getty Images

No dia 1º de julho de 2006, uma grande reunião entre familiares e amigos aconteceu na casa da minha avó, no bairro do Uruguai, na Cidade Baixa de Salvador. Fugindo do padrão de realizar eventos desse tipo aos domingos, aquele sábado acabou de uma forma nada legal. A culpa? Aquele bendito gol do Henry feito nas quartas-de-final contra a Seleção.


No dia seguinte, no mês seguinte, no ano seguinte e em todo o ciclo seguinte àquele show de Zinedine Zidane em Frankfurt, a palavra de ordem virou uma só na CBF: Reformulação. Dunga foi o escolhido de Ricardo Teixeira, confiando em sua capacidade de não chamar os jogadores que foram um peso morto para a Seleção em terras alemãs.


Desde então, a utilização de garotos na titularidade do time principal, a compactação tática defensiva, a ideia de um falso nove, o conceito de um estrangeiro como técnico da Seleção, entre outras pautas surgiram, ilustrando que essa conversa de reformulação vem sendo recorrente nesses quase vinte anos, embora com pouca efetividade prática.


Entretanto, a palavra “Neymardependência” também virou palavra de ordem desde aquele dia do “Olha a bola tocada! Virou passeio!”. Depois da eliminação para a Alemanha na Copa de 2014, até cheguei a me perguntar “E se Neymar não tivesse se machucado contra a Colômbia?”, mas concluí que não mudaria muita coisa e não mudaria nada me prender ao “E se?”.


Dez anos se passaram e falar de Neymar (tanto bem, quanto mal) virou sinônimo de tocar em um vespeiro. Seu comportamento na vida pessoal, suas escolhas de carreira e seu temperamento dentro de campo, sem contar a fama de cai-cai adquirida em 2018, costumam ofuscar o fato dele ter sido um dos melhores de sua geração e seu potencial não atingido gera um monte de questionamentos presos ao “E se?”.


Com isso, um fenômeno promovido pelos entusiastas do jogador ganha uma grande notoriedade no Xwitter: “O Neymar Hipotético”. Caso você não frequente a rede social comandada pelo maluco do Elon Musk, vou explicar rapidamente o que seria isso: uma grande especulação sobre os possíveis feitos absurdos que Neymar poderia ter atingido, de acordo com muitos pensamentos presos ao “E se?”.


Enquanto isso, os convocados do atual ciclo - se atendo apenas ao presente - respeitam e valorizam a presença do Neymar no ambiente da Seleção, passando a impressão de esperarem seu retorno, se tiver condições físicas e técnicas, porque precisamos esperar para ver se ele vai marcar 50 gols por ano no Sauditão, como Cristiano Ronaldo. Todas essas expectativas desses caras giram em torno de estarem presos ao “E se?”.


A Seleção dirigida por Dorival Júnior está enfrentando certa desconfiança, devido aos resultados recentes, quando empatou e não convenceu. Após cada uma dessas partidas em que o time termina devendo futebol, a figura do “Neymar Hipotético” surge nas redes sociais, o jovem tuiteiro reforça o quanto tem saudade de ver o jogador com a camisa amarelinha e volta a questionar o potencial individual e coletivo, em indagações presas ao “E se?”.


Aparentemente, Neymar está imune à reformulação da Seleção e a busca completa por novas soluções táticas e humanas parecem não avançar pelo fato de que muitos brasileiros querem seguir presos a Neymardependência, até porque ganhamos duas Copas do Mundo sem Pelé, mas não ganharemos a Copa de 2026 sem o Neymar. Mais do que nunca, precisamos de uma reformulação de mentalidade e, sinto muito, precisamos nos desprender desse “E se?”.


Ao que tudo indica, ficar preso ao “E se o Neymar?” está atrapalhando a expectativa do torcedor pela Seleção porque atrapalha a ideia básica de esperar para ver se Neymar atualmente está saudável e desenvolvendo seu ótimo futebol em uma liga competitiva. Hoje, a realidade não é essa e precisamos aceitá-la.


Ao que tudo indica, ficar preso ao “E se o Neymar?” pode estar atrapalhando o desempenho de alguns pela Seleção porque a aura de um grande vencedor com a camisa amarela - com o total de 1 (um) título pelo time principal - persiste em ser mantida pelos atuais convocados e o grito de “olê lê, olá lá, o Neymar vem aí e o bicho vai pegar” provavelmente será entoado nos corredores da Granja Comary, se ele voltar… Se ele voltar.


O brasileiro precisa entender que o Neymar pode ganhar uma Copa do Mundo, sendo um complemento e não o centro de tudo. Vinícius Júnior e Rodrygo devem ser dois dos jogadores presentes nas próximas listas de melhores do mundo. Temos material humano para não precisar mais do Neymar. O brasileiro pode esperar por ele, sim, mas o brasileiro não deve mais fazer isso. Para o bem ou para o mal, o brasileiro precisa acabar com a Neymardependência.




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