Desafiando o mundo, melhor do mundo

Atualizado: 13 de abr.

“Era uma criança que só jogava bola descalço nas ruas de São Gonçalo”.
E é lá que, hoje, se procura o melhor do mundo. Não nas bases europeias. Não em Rosário, na Argentina, ou na ilha da Madeira. Muito menos onde os sistemas de eurocentrismo e elitismo que se entrelaçam entre cada título no futebol moram. O melhor do mundo está e continua ali, entre as ruas de São Gonçalo, dizendo que um dia seria melhor do mundo.
O mundo, por sua vez, recusou seu melhor de todos. Primeiro, jamais sairia do Flamengo. Depois, uma vida no Real Madrid B. Mais à frente, sucumbiria à pressão e, quando a qualidade era inegável, ‘perde respeito pelo comportamento fora de campo’.
O que tem de tão emocionante no melhor jogador do mundo é ser o melhor do mundo quando o mundo não o quis reconhecer, das torcidas às grandes instituições do futebol. Quando ele representa tudo que o mundo teme, porque se dançar suas alegrias é tão criminoso, não tem como ser outra coisa além de temer.
O que tem de tão diferente no melhor jogador do mundo é que ele não conhece a ideia de desistir. Não conhece aceitar um placar elástico que o derrote se ainda existem os acréscimos para virar, não conhece uma lei que nunca existiu se ele ainda pode criar, e não conhece a injustiça se ele não pode ‘fazer dez vezes’, e se provar.
O que tem de tão especial naquele que reúne em um só jogador a tradição da maior seleção e do maior clube do mundo, unidas à revolução do mundo justo que ele cria para si, é o quanto nem mesmo o mundo pode impedir que ele seja o melhor. Não pode contestar, não pode roubar e não pode injustiçar.
O melhor do mundo é ele. Vinicius José Paixão de Oliveira Júnior. Das ruas de São Gonçalo, do ninho flamenguista, da galáxia branca e do Brasil. É quem, depois de tanto tempo, colocou seu país novamente no topo do mundo. Não porque o mundo acreditasse nele - mas porque ele, desde o primeiro minuto em campo, nunca duvidou.




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