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Raça (2016) - Se Liga!

Foto do escritor: Lucas Santos
Lucas Santos
31 de mai. de 2024
2 min de leitura

Estamos em mais um ano bissexto, e com ele chega mais uma edição das Olimpíadas, que em 2024 será realizada na cidade de Paris. Então, nada melhor que relembrar grandes histórias do maior evento esportivo do mundo. Por exemplo, a maratona de Roma em 1960, vencida por Abebe Bikila enquanto estava descalço; a lendária nota 10 de Nadia Comăneci, na ginástica da Olimpíada de Montreal em 1976 e a performance de oito ouros olímpicos de Michael Phelps, em Pequim 2008. Porém, nenhum desses capítulos da história olímpica se comparam às quatro medalhas de ouro vencidas por Jesse Owens. Nas Olimpíadas de 1936, disputadas em Berlim, com a Alemanha vivendo o auge do regime nazista e usando do evento para disseminar sua ideologia supremacista, racista e antissemita, um homem negro foi campeão no atletismo, a prova nobre do evento. Essa história foi adaptada no filme “Raça”, de 2016, dirigido por Stephen Hopkins.


A obra cinematográfica tem um claro recorte que se inicia três anos antes das olimpíadas de Berlim, curiosamente no mesmo ano em que Hitler se torna o Führer da Alemanha, dando início ao Terceiro Reich. Tendo um foco maior em Jesse Owens, por se tratar de uma cinebiografia, o longa aborda a dificuldade do protagonista em entrar na faculdade - onde grandes atletas se moldam nos Estados Unidos -, e os percalços raciais que o corredor enfrentou fora das pistas. Para além disso, conta um pouco sobre o processo do país americano até aceitar participar das Olimpíadas em uma nação abertamente fascista.


A narrativa do filme consegue traçar um paralelo entre a Alemanha e os Estados Unidos nos anos 30, principalmente na questão racial, quebrando a ideia de que o país estadunidense não é sujeito a falhas grotescas, como a mancha do período de segregação racial com o aval da lei estadunidense. Como adaptação de uma época marcante na história da humanidade, o filme ainda conta com personagens que representam figuras conhecidas da Alemanha nazista, como o ex-ministro da propaganda Joseph Goebbels, a cineasta Leni Riefenstahl, diretora do filme “Olympia”, encomendado pelo partido para propaganda do evento e da ideologia nazi-fascista, além de uma breve aparição do próprio Hitler.


A crítica especializada avaliou o filme positivamente, assim como o público. No site Rotten Tomatoes, um dos principais na área de avaliação de produções audiovisuais, Raça conta com uma porcentagem de 63% de críticas positivas entre os especialistas, com destaque para o comentário de Richard Crouse, que disse: “Em última análise, "Raça" não é realmente sobre corrida ou, especificamente, raça. É uma questão de espírito esportivo e da capacidade do esporte de superar preconceitos pessoais de todos os tipos.”. A obra ainda conta com aprovação de 77% do público geral que a avaliou.

Raça vai além da tela de um filme. É uma história real. Das mais grandiosas que a humanidade presenciou. Mostra um personagem principal maior que o próprio filme, por melhor que ele seja. Jesse Owens foi resistência. Símbolo da luta contra um dos modelos de governo e de pensamento mais perversos, cruéis, racistas e execráveis de todos os tempos. E há quem diga que esporte e política não se misturam…

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