Pega, Mata e Come - Perfil


Você já parou para se perguntar de onde nasce um universo?
De onde surgiu tudo que hoje existe. A água. As plantas. O ar. As pessoas. O mundo. Qual foi o começo de tudo, o início do universo. A força maior que sempre esteve lá, e faz com que tudo se movimente, exista, e viva. No mundo, talvez nunca seja possível saber. Mas no universo das atléticas, e no universo do Intermed, só existe uma resposta possível: Carcará.
Desde os tempos mais primórdios, a FAMEB tá aí, inovando a medicina, alegria a gente ensina
Não existe a história da medicina na Bahia sem existir, antes, a Fameb. Sem existir a Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, desde que Dom João VI deu início a tudo isso. E é desse mesmo jeito que não se pode existir atlética, não se pode existir competição, e não se pode existir paixão, sem existir a alegria ensinada pela Carcará.
A atlética de medicina da Ufba nasceu em 2012. 2013, talvez, se contar a fundação oficial. E nasceu no berço, no início de tudo, que até hoje guarda os sonhos e planos de cada um que faz parte do mundo laranja e verde. Nasceu no Cardozão.
Lá em 2012, as primeiras lutas de boxe e jiu jitsu começavam a animar os tatames, e as quadras gritavam pelo futsal masculino, o primeiro time de medicina a surgir. Na época, a competição era o interturmas, que hoje é o famoso Carcacopa. No futsal feminino, um desafio, com dois times mistos se enfrentando. Carcarás de várias épocas, que ainda nem se chamavam assim, começando o que hoje se tornou tudo.
Foi bem no Cardozão, o espaço comum da Fameb, que um grupo de amigos se juntou, com caixas de som e algumas cervejas, para criar uma atlética na Bahia. A ideia veio da Corrida dos Médicos, um evento feito entre estudantes de medicina que amavam esporte, e organizado pelo Cremeb.

Um desses amigos, os famosos fundadores, cursou engenharia em São Paulo, e trouxe para a Fameb a ideia atleticana. Os fundamentos, os estatutos, e o amor pela atlética que, lá, ele conheceu. A luta começou pela faculdade - certificado de horas, para que os alunos tivessem um motivo a mais para buscar o esporte. Semana dos calouros, para que o treino começasse desde o comecinho. Brigadeiro, geladinho, arrecadações de dinheiro para as bolas, os técnicos, os treinos.
E assim, de pedacinho em pedacinho, a história foi crescendo. Os veteranos foram voltando, e ensinando os calouros que chegavam para continuar o sonho. Um foi ensinando o outro, e aos poucos, o Carcará foi nascendo.
Pode bater asa, pode rastejar, o Carcará vai te pegar
Nasceu a ideia, e precisava nascer ele. A cara da atlética, o centro de tudo - o Penudão.
No início, ele era o Louro José com novas cores. Os tons de verde e laranja já começavam a pintar a Fameb, dando os prenúncios de que um dia o Louro se tornaria o mascote daquele time original de futsal, e o grande Carcará dominaria a Bahia.

Foi só mais tarde que, com a atlética já formada, ele foi desenhado. O Penudão, o Carcará, a ave de rapina que se tornou o mascote inconfundível de MedUfba, carregando mais significado do que qualquer outro poderia.
Há quem se pergunte por que a primeira não escolheu a serpente, o animal da medicina. Se era a primeira, podia escolher qualquer um, e porque não ela? A resposta é muito simples - porque aqui, era na Bahia.
Porque a pioneira em medicina na Bahia não poderia ter outro mascote que não fosse o espírito profundo do estado. A ave daqui, da terra, que é capaz de se adaptar a tantas regiões e quaisquer situações. O símbolo da resiliência, da força de quem sobrevive às adversidades. De quem carrega o nordeste, e se orgulha dessa cultura. De quem só poderia ser, e é, Carcará.

Fameb aqui chegou, orgulho do Pelô, primeira do Brasil
Se é para falar de primeira, a Carcará já era primeira até antes de ser. E esse começo todo fica marcado até no nome - Associação Atlética Antônio Carlos Vieira Lopes, AAACVL.
ACVL, como é carinhosamente guardado, foi o primeiro estudante de medicina a tentar criar uma atlética. Em sua época de faculdade, era jogador de futebol, vôlei, basquete, remo, natação, e todo esporte aquático que se imagine de um jovem nascido e criado na ribeira.
Ele estava lá na primeira geração de atléticas, antes mesmo do que muitos sabem que existiu. Quando ele entrou na atlética, em 1960, se iniciaram cinco anos de história que uniram a Fameb, o esporte, e o ACVL. Presidente de 1961 a 1964, ele foi reeleito até chegar no internato, e precisar seguir só com a medicina.
Medalhista nato, competidor absurdo, e potência da Fameb, ele jogava os campeonatos da Federação Universitária Bahiana de Esportes, a FUBE. Nessa época, a rivalidade entre Ufba e Bahiana começava a nascer, com jogos estaduais e nacionais uma vez ao ano. Do interclasse, para o baiano, e do baiano, para o brasileiro.
O ACVL foi o último presidente dessa primeira geração de Fameb. Isso porque, em 1964, um ano antes de sua saída, a ditadura militar se iniciou no Brasil. As atléticas e congregações universitárias foram proibidas, e tudo se encerrou.
As bolas ficaram trancadas no terreiro que abriga a Fameb. O assento no diretório acadêmico que pertencia a ele ficou vago. As quadras ficaram vazias.
Mas aqui, não se pode dizer que tudo acabou. Não quando um anjo surgiu para a Fameb, e para manter o espírito do futuro Carcará pulsando. Surgiu Seu Bina, que hoje vive nos hinos que cantam “com a bênção de Bina, virei ave de rapina”.

Bina foi um barbeiro que, durante a ditadura, escondeu estudantes de medicina para treinar e manter o movimento atleticano vivo. Hoje, seu legado fica na Fameb, em um memorial e no símbolo de proteção que ele se tornou.
Fica, inclusive, na Copa Seu Bina, que por tantos anos foi jogada por estudantes de medicina da Ufba, e em breve voltará a existir. Com jogos além até do famoso Intermed, a Seu Bina traz sinuca, totó, e tudo aquilo que possa divertir e unir o alunado.
Esses anjos continuaram por perto. ACVL se tornou professor na Ufba, e ficou por lá pelos trinta anos permitidos. Trinta e oito anos no total, vivendo a Fameb. Em meio a tanta história, o movimento atleticano reacendeu com a nova geração de 2012. E aqui, o mensageiro Odonne trouxe a história do ACVL para os fundadores.
Ele foi escolhido como o grande nome para a atlética, e convidado a ser o patrono da Carcará. E a emoção de um momento como esse, só ele pode explicar.
“Me comunicaram que os alunos queriam ressurgir a atlética. Fizemos reuniões, conversamos muito, e Odonne levou à congregação a proposta de recriação. Nesse dia, eu chorei. No dia que recebi o nome, a única reação que eu poderia ter era receber com lágrimas, tamanha a emoção. O que eu fiz foi chorar. Eu me aposentei em 2008, e como fui inúmeras vezes paraninfo, patrono, professor homenageado, nome de turma. Graças aos alunos, eu nunca saía do quadro, mesmo aposentado.”
“Se você for no meu lattes, você vai ver que eu tenho um bocado de título acadêmico. Mas o que mais me emociona e o que eu exibo com mais contentamento é uma placa que eu recebi dos alunos de 2008, quando dei a aula de despedida deles, me chamando de professor eterno. Uma placa dizendo que, pra eles, eu sou eterno.”

“O Carcará, pra mim, é como um encontro com a juventude. Uma forma de estar junto do aluno, já que eu não posso mais estar em uma sala de aula como a vida inteira sempre amei. É o jeito que eu vejo que eles me carregam consigo no peito. Então é possível que eu fique, realmente, como eles me nomearam, eterno. Porque vai chegar um dia que eu realmente vou ficar muito velho, vou morrer, mas meu nome vai ficar ligado ao Carcará. Se alguém quiser procurar por mim na faculdade, daria trabalho, mas se quiser saber de mim, ao chegar na atlética, eu pra sempre estarei lá. É uma perpetuação da minha presença no coração do aluno.”
“Pro resto da minha vida, enquanto existir carcará, enquanto existir atlética, eu estarei no peito deles. e o que se guarda no peito, tá no coração, tá no amor. e é assim que eu me sinto - amado por eles.”
Você vai conhecer, o laranja que só faz crescer, como nunca se viu
O resultado de toda essa história é ela - a Carcará. Hoje, com times coletivos de futsal, o Louro José, handebol, vôlei, basquete, o Basquetão. Individuais de jiu jitsu, natação, a Natashow, tênis de mesa, xadrez e pôker.
Onze anos de história entre treinos e competições nas quadras do Ceef, do Ifba, do Colégio 2 de Julho. Das diretorias de vendas, eventos, esportes, administração, comunicação.
De Intermed. De Jufba. De Copa Iron. De Super Liga Uni.

De Carcacopa! Da competição interturmas que une a Fameb. Que foi vencida, pela última vez, pela 262, seguida pelas 264 e 263. Turmas recentes que provam e comprovam a renovação do esporte verde e laranja que ainda vem aí. Das brincadeiras e dinâmicas da Carcacopa da Resenha, que dá o sentimento de turma que rege a faculdade. Da Game Over, a festa que encerra a competição.
Da Revoada no Ninho, a recepção de cada novo penudinho que chega. Na volta da pandemia, 1300 pessoas em uma só calourada. É lá que os calouros - e os veteranos de todos, calouros de ninguém - mergulham no balde de Carcaceta, a bebida que é marca registrada da Carcará, e aprendem o caminho até o bar Chuleta, lugar de se reunir depois de cada prova.
Até mesmo da cerimônia do jaleco, onde na entrada da Fameb, cada calouro aprende a responder o grito do “Carcará!” com um sonoro e emotivo “Pega, mata e come!”.

De tudo aquilo que, hoje, forma o universo Carcará.
O Carcará é minha vida e o Intermed eu vou ganhar
Como sempre, o início de tudo é no verde e laranja. E com o Intermed não seria diferente.
A maior competição de atléticas do Norte e Nordeste nasceu em 2016, pela necessidade de uma competição que estimulasse os treinos. Em uma rotina de medicina, entre responsabilidades e cansaços, o amor pelo esporte nem sempre bastava. Precisava de algo a mais.
O “algo a mais” veio quando Heloísa, secretária da Carcará na época, foi convidada para organizar o Orem Nordeste, campeonato sediado em Salvador. Nessa época, já estavam nascendo atléticas na Bahiana, na Facs, Unime, Ftc. Mas o Orem era gigante.
Por isso, a escolha foi começar aos poucos. Criar um evento menor, entre as atléticas de medicina, que resultou no primeiro Intermed, lá em 2016. Helô foi fazer um curso fora da Bahia, e trouxe de lá o regulamento da Ufbg.
Foi combinado que a cada ano, uma atlética organizaria, e a primeira a tentar foi a pioneira clássica - a Carcará. Na tentativa, veio o peso de um evento inteiro nas costas, que resultou na criação da Abam, a Associação das Atléticas Baianas de Medicina, para organizar o Intermed com representantes de todos os times, e peso de voto igual para cada um.

O presidente da Abam era André Barbosa, e a vice, Helô. Juntos, eles se uniram a tantas outras atléticas, e à UNI, que surgiu para organizar as festas e detalhes além do esporte e chaveamento, para criar o império que hoje é o Intermed.
As faculdades de medicina começaram a se unir. Vieram times do interior, de Ilhéus, de Feira de Santana. Se formaram treze modalidades. Surgiu a semana do saco cheio, onde as faculdades de medicina param suas aulas para que todos possam viver uma semana de intenso Intermed. Se tornou uma inspiração, um evento gigante, que já dá sinais de pré Intermed classificatório, ou mesmo segunda divisão, em um futuro próximo.
Quem vive um Intermed sabe qual é a sensação.
Vamo, vamo, Carcará, esse Intermed vamo ganhar
Quem ganha um então, lembra para a vida inteira.
É o caso da Carcará, e em dobro. Foram duas histórias, duas vitórias, dois Intermeds pintados de laranja e verde.
O primeiro veio em 2018. Os treinos no ginásio do Ifba levaram os times até a AABB, com incontáveis medalhas de ouro nos individuais. O presidente, Ramon, na beira da quadra, fazendo contas infinitas desde quinta, para garantir que o sonho era mesmo realidade. Mas tinha que ser. Só duas modalidades, das treze, nesse ano, não foram Carcará.

E não deu outra - no último jogo, todas as atléticas já tinham ido embora, menos os penudinhos. Ao apito final, foi invasão de quadra, grito, choro, emoção. A primeira estrela do Penudão.
O sonho se repetiu em 2022, no primeiro ano de atlética da atual presidente, Isabela. Dessa vez, tudo mais apertado, em uma diferença de pontos mínima, de apenas duas modalidades. Com falta técnica e tudo, quando na prorrogação do basquete feminino contra a Serpente, os Carcarás acharam que o jogo tinha terminado e foram para a torcida comemorar.
No último dia, os jogos pintavam as arquibancadas divididas entre laranja e verde, e o amarelo da Pato Loko. Acabou o jogo que precisava ser vencido. Invasão de quadra de novo. Grito, choro, emoção. Duas vezes Carcará campeão.

Vem do Pelô, meu Carcará, vem da Bahia
Especialista em ser pioneira, especialista em inovar, a Carcará tem mais uma criação. E essa, das mais especiais.
Naquele primeiro Intermed, os penudinhos decidiram fazer uma apresentação, por diversão, por cultura. Pegaram a competição de baterias que acontece em outros estados, inspirada nas escolas de samba do Rio de Janeiro, e adaptaram para o Olodum de Salvador. Para a energia do Pelourinho, do Pelô.
Foi lindo. Tão lindo, que no ano seguinte a bateria se tornou a primeira competição artística do Intermed, e há sete anos vem enfeitando os ouvidos da torcida. Com timbales, chocalho, agogô de quatro bocas, repique, caixas, bacurinha, e os surdos que fazem a batida do coração Carcará, a cultura da atlética se formou.
A bateria carrega em vida a cultura de Salvador. É como todo jurado que vem de fora diz - aqui é diferente. Os ritmos afro baianos pulsam, a caracterização em homenagem a partes da cultura brilha no figurino. Já foi Timbalada, já foi volta do Carnaval, já foram os blocos de Salvador, com os surdos de Olodum, e bacurinhas de Filhos de Gandhi.
Sempre foi, desde o início, a Bicentenária, que carrega no nome a idade da primeira faculdade de medicina. No Intermed e na calourada, a torcida única sempre rodeia a bateria, e os 26 músicos que, hoje, a compõem.

De semana em semana, as rotinas são criadas com a treinadora Ratinha, que levou a Bicentenária duas vezes ao top três da premiação do Intermed. Na última edição, com direito a um atraso arrepiante.
A Carcará foi a primeira a apresentar, e esperou por meia hora. Trinta minutos em que a torcida não parou de gritar por um segundo sequer. “Tocar bateria no Intermed é a coisa mais legal que eu já fiz na vida toda. A sensação no dia é inexplicável, não dá pra colocar em palavras. É muita emoção misturada. Medo, nervoso, alegria. No ensaio, os três minutos de apresentação passam como anos, mas lá, é tudo muito rápido.” Nada melhor que as palavras de Pitú, presidente da bateria, para contar como é.
Na competição, vêm os critérios de avaliação. Criatividade, equalização, evolução, afinação, audíveis, fluidez. Na prática, fica a vida que a Bicentenária traz com seus hinos e sons, entoando o orgulho que a torcida sente de ser parte de tudo isso.
Pra cima, Rapinas
Nenhum Intermed artístico é completo sem a competição de cheerleading, as líderes de torcida - e a pioneira de tudo não poderia ficar para trás.
É aqui que moram as Rapinas, o grupo de cheer da Fameb. Entre bases e voos de flyer, as Rapinas são o exemplo perfeito da unidade de grupo que a atlética cria. Um depende do outro, um conta com o outro, um faz pelo outro. Sem um deles, o stand não sobe, o show não acontece. Aqui, não há estrela independente - para brilhar, precisa de uma constelação.
É justamente essa constelação que faz com que um esporte que, no Brasil, é quase unicamente universitário, preencha a vida dos alunos da Fameb. Se aventurando até no tumbling, uma modalidade mais complicada, a Carcará disputa o Intermed, o Cheer Fest e o campeonato nacional. Às vezes, até no Jufba, abrindo alguns jogos.

O time é tão gigante, que no Cheer Fest, campeonato com todos os grupos de cheer do país, a Carcará foi sexto lugar. Sem financiamento, sem patrocinador, com garras de quem é ave de rapina.
E, se as Rapinas são aves, é impossível contar sua história sem falar da ave mãe - Clarissa Maia. Foi ela quem, começando como atleta de vôlei, trouxe a dança artística para a atlética, criou as Rapinas em 2016, e começou a sonhar com o cheers. Foi ela, até, quem montou o cheermix, como se chamam as músicas de apresentação dos times.
Em 2017, já era realidade a competição no Intermed. Em 2018, o primeiro ouro das Rapinas chegou. Em 2023, o bicampeonato.
“O momento do anúncio do ouro, hoje, parece uma cena de filme. Eu não conseguia ouvir nada nem ninguém, tudo sumiu, e eu só ficava em êxtase até alguém me puxar pra subir e pegar o troféu. A gente não estava desacreditado de nenhuma forma, mas ouvir que você é campeão é realmente chocante, gratificante, surpreendente.” - Felipe Asaf
Hoje, a equipe treina com Naiara Araújo, dona do ginásio de um time all stars, e ex atleta do time brasileiro de cheer. Com ela, as Rapinas vão aos camps, finais de semana imersivos onde cada avezinha respira a torcida do cheer, limpando movimentos e montando quadros de rotina.
No final de tudo, é impossível não se tornar uma família. Não só a família Fameb, que aprende desde o comecinho a responder cada “Pra cima!” com um “Rapinas!”. Entre Rapipraias, Churrapinas e passeios só deles, os 25 atletas hoje ativos no time se tornaram um só, desde os veteranos, até os Rapilhotes, calourinhos.
“Não sei como seria a minha vida aqui sem as rapinas. É uma família que eu fiz aqui, e eu não me vejo mais sem. Todo mundo conta com todo mundo não só no esporte, mas também na faculdade, por ter essa teia de amizade e de elo.” - Felipe Asaf
E a serpente tem que pagar o boletinho
Todo amante do esporte sabe que não existe uma boa competição sem uma boa rivalidade. Aqui, a grande competição do Carcará é a mesma que veio lá da primeira geração - a Bahiana de medicina, a Serpente.
Entre vários cantos de “todo mundo se ama, ninguém gosta da Bahiana”, a rivalidade histórica vem desde os chefes de estágio, que em centros cirúrgicos já comentavam a oposição entre as duas faculdades.
É o gosto que dá a todo Carcará quando uma atleta que ficará para sempre marcada na história da atlética, como Yanna Maia, poliatleta guardada na calçada da fama do Penudão, provoca a torcida rival, pedindo gritos laranjas e verdes toda vez que marcava ponto.

É a briga, o vai e vem, a vitória que a cada ano é de um lado, e torna o Intermed sempre imprevisível.
We are Carcará, We are da alegria
“Dissociar o esporte da vida é perder uma parte dela” - ACVL
Isso é o ser Carcará. É o brilho de carregar no peito a história da primeira, e de tudo que veio dela. É o orgulho de realizar o sonho, e chegar ao topo do mundo. De lá, descer voando, planando, para qualquer voo que um Carcará queira alçar.

“A palavra do carcará é pertencer - saber que você tem um lugar, que você faz parte daquilo, que você é aquilo, que aquilo faz parte de quem você é. Além de se tornar um médico, você se torna um carcará” - Isabela Santos
“Ser Carcará faz parte de mim. Eu não viveria sem o Carcará. Me tirou de qualquer coisa ruim na faculdade. Me permitiu respirar, me deu meus amigos que eu trouxe para minha vida. Me permitiu ser parte da mudança de uma faculdade ainda tensa, para uma unida” - Yanna Maia
“Ser Carcará é indescritível, não dá pra colocar em palavras. É a sensação de dever cumprido, de dar seu máximo para defender a faculdade. É sentir a garra, a força do Carcará, de se adaptar a situações. É ser a primeira do Brasil” - Pitú
“Ser Carcará é me superar e me desafiar ao máximo. É colocar em jogo todas as minhas emoções junto com meu racional, e me superar sempre. É um voo que não termina. Que tem seus altos e baixos, mas que é ininterrupto, a gente nunca para de se superar” - Felipe Asaf
“Ser Carcará é estar desde o início querendo fazer parte. Eu entrei no primeiro semestre, porque eu sempre quis estar ali. Era um sonho fazer medicina, e era um sonho ser carcará, porque é uma família. Ali, eu sou acolhida” - Ayana Emiri

Obrigada, Carcarás, por me contarem a história de vocês, e me emocionarem com cada parte dela. É por histórias como essa que o jornalismo tem vida. Vida longa, aves de rapina.




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