Muito obrigada, Marta

Atualizado: 13 de abr.

Não, ainda não é uma despedida. Pelo menos, não por completo. Podemos vê-la jogando pela Liga Nacional Feminina, dos Estados Unidos, mas, ainda assim, saberemos que não será a mesma sensação à qual estamos acostumados. Ao pensarmos em Marta, pensamos no Brasil, e quem acompanhou as Olimpíadas de 2024, possivelmente, assistiu um dos últimos atos da nossa rainha com a amarelinha.
Para mim, que desde quando comecei a acompanhar futebol, sempre a via com a camisa 10 e a braçadeira de capitã, soa estranho ouvir isso e aceitar que esse dia chegou. Mas quebrando um pouco o clima de despedida, por que não lembrar como tudo começou?
Nascida em 19 de fevereiro de 1986, em Dois Riachos, no interior de Alagoas, vinda de uma família muito humilde, temos uma história linda de resistência e superação da torcedora do CSA. Uma menina apaixonada por jogar futebol, em um meio majoritariamente composto por garotos, em uma época que o futebol feminino surgia de forma tímida e com pouco interesse.
Afinal, como seguir acreditando em algo que não tem expectativas? Ou melhor, em algo onde não se tem uma inspiração? Como acreditar em representar sua seleção quando nem os jogos são transmitidos? A resposta para essas perguntas é nada mais nada menos que um nome: Marta Vieira da Silva.
Como já é de se imaginar, não foi nada fácil, e ainda assim, não a fez desistir. Devemos valorizar isso, pois diferentemente daquela época, hoje em dia, ao questionar uma amante de futebol, quem é seu/sua ídolo(a), teremos uma resposta. A única mulher eleita seis vezes como Melhor Jogadora do Mundo será citada.
Jogando inicialmente entre os meninos e se destacando mais que eles, Marta, com apenas 14 anos, voou em direção ao Rio de Janeiro jogando todas suas fichas para realizar testes nos clubes cariocas. Logo de primeira, foi aprovada no Vasco da Gama. Se destacou, ganhou experiência com empréstimo, até ser vendida para um clube da Europa. A partir daí, o resto é história.
Acumulou passagens importantes por todos os seus clubes, especialmente na Suécia e nos Estados Unidos, sendo artilheira e campeã de competições, e levando os times a feitos nunca conquistados anteriormente. Pela seleção, foi campeã dos jogos Pan-americanos de 2003 e 2007, com três medalhas de prata em Jogos Olímpicos e três Copas Américas. Além disso, Marta é a maior artilheira da história da amarelinha, com 117 gols.
Todos esses feitos já mostram o quão grande ela é. Mas, para além de títulos, Marta é a história. Com o crescimento do futebol feminino, outros grandes nomes surgiram, como Formiga, Tamires, Cristiane… Mas, fora do Brasil, com outras gigantes do futebol, como Alex Morgan, Megan Rapinoe e Alexia Putellas, ao questionar as meninas que estão começando, e até mesmo essas que já escreveram ou que ainda estão escrevendo um capítulo na história, sobre quem é sua inspiração, ou melhor, quem é a maior de todos os tempos, temos respostas unânimes.
Posso estar sendo repetitiva, mas a partir do momento em que alguém vence o prêmio de Melhor Jogadora do Mundo por 5 vezes consecutivas, além de ser homenageada com seu nome no prêmio de gol mais bonito do futebol feminino, o Prêmio Marta, não se tem mais discussão.
Anos vão se passar e muitas pessoas ainda vão cobrar do que Marta não fez, mas na verdade, deveriam agradecer por todo seu legado. O Brasil sediar a próxima Copa do Mundo Feminina diz muito sobre como esse movimento cresceu e o quão influente Marta foi. Por mais que ela, provavelmente, não esteja em campo, as jogadoras buscarão este título com ela apoiando e por ela, por todo o esforço ao longo de anos.
Nunca esquecerei do dia em que, pela primeira vez, vi um jogo de Marta ao vivo. Ao sair do banco, jogando contra a Jamaica em um amistoso na Arena Fonte Nova, na entrada da área, surgiu uma oportunidade com uma falta. Quando a vi indo em direção à bola para cobrar, falei para mim mesma: ela vai fazer. E realmente aconteceu, me trazendo um dos momentos mais marcantes que vivi no futebol.
Comecei esse texto escrevendo sobre despedida, já que, pela seleção, suas partidas estão contadas, e falta pouco para não a termos mais jogando no geral. Mas prefiro dizer que me expressei errado, até porque, nunca será uma despedida. Ela sempre será eterna, e só temos a agradecer à nossa rainha do futebol.
Muito obrigada, Marta!




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