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Lukaku: As escolhas e consequências da estrela belga

Sandro Alex Farias
25 de set. de 2024
4 min de leitura
Foto: Reprodução I @sccpoficialnapoli
Foto: Reprodução I @sccpoficialnapoli

Romelu Menama Lukaku Bolingoli, costumeiramente chamado de Romelu Lukaku. Nasceu em 13 de maio, no ano de 1993, na Antuérpia, Bélgica. Filho de Congoleses, história de superação digna de filme. Descendente de imigrantes que passou fome e preconceito na Europa e agora é estrela do futebol mundial. Já que a vida de Lukaku é digna de cinema, permitam-me começar pelo fim, tal qual Quentin Tarantino no clássico Pulp Fiction.


Romelu Lukaku acaba de ser anunciado pelo Napoli, da Itália. Sua carreira teve altos e baixos, algumas polêmicas e, aos 31 anos, mesmo tendo a maioria de suas temporadas repletas de gols, o centroavante belga, que é inclusive o maior artilheiro da história da seleção nacional, não jogará a Champions League. Tampouco está entre os principais concorrentes ao título Italiano para essa temporada.


Por que, mesmo sendo um dos melhores jogadores do mundo em sua posição, ele não está em um dos melhores times? Precisaremos voltar ao passado para entender.


Desde a adolescência, o belga Romelu Lukaku era identificado com um grande potencial. Com 16 anos já tinha 1,90m de altura e o prêmio de artilheiro do campeonato local. Já na sua temporada de estreia, foram 15 gols em 33 jogos, que ajudaram o Anderlecht a ser campeão da primeira divisão da Bélgica. Os gols e boas atuações chamaram a atenção dos principais clubes europeus, e em 2011 veio a transferência pro Chelsea, um grande passo.


A transferência para o clube londrino acabou se mostrando um passo maior do que o indicado. A disputa por espaço com jogadores mais badalados foi dura com o jovem, e após poucos minutos na primeira temporada, os empréstimos foram solução. Ninguém sabia, mas Lukaku não foi a única futura estrela mundial que ficou em segundo plano naquela época. Kevin De Bruyne e Mohamed Salah também deixaram o Chelsea sofrendo com a falta de espaço no elenco.


Geograficamente, ir da Bélgica para a Inglaterra significa viajar para o Oeste. Mal sabia a promessa belga que teria que rumar um pouco mais ao oeste, primeiro jogando no West Bromwich, e depois indo a Liverpool, jogar no Everton. Os “Toffes” ficaram tão encantados com o desempenho de Lukaku, que negociaram uma transferência definitiva. Deu super certo. Três ótimas temporadas do lado azul de Liverpool o credenciaram como um dos principais alvos do mercado, e o levaram para mais um grande desafio: o Manchester United.


Os “red devils” estavam experimentando as dificuldades de uma separação. Quase três décadas de Alex Ferguson e um recomeço complicado. Romelu chegou como a grande solução para o problema dos diabos vermelhos, que na época estavam há três temporadas sem ganhar a Premier League. Mas os 42 gols durante as duas temporadas em Manchester não foram suficientes para a torcida. O Belga nunca caiu nas graças, e era acusado de estar acima do peso. Anos depois, o comentário de Romelu sobre sua passagem no United foi: “Eu estava num buraco”.


Lukaku, que já afirmou gostar da feijoada brasileira, partiu para um recomeço na terra da pizza. A Internazionale de Milão foi o destino escolhido. Passagem de sucesso, título italiano e grande parceria com Lautaro Martinez. Até agora, o auge de sua carreira. Amado pela torcida, o que poderia fazê-lo ir embora? Bastante dinheiro. O Chelsea, que outrora tinha acreditado numa versão mais jovem do atacante, deu-lhe o maior contato da carreira e o recomprou por impressionantes 105 milhões de euros.


O retorno da estrela belga ao futebol inglês foi frustrante. Só uma temporada foi suficiente para ambos, clube e jogador, perceberem que foi uma péssima escolha. Lukaku, que fala 6 idiomas, entre eles o português, poderia cantarolar o refrão consagrado por Cássia Eller “estamos indo de volta pra casa”. Bélgica? Não. Ao voltar para a Itália, o centroavante afirmou que se sentia em casa na Inter de Milão. O empréstimo de um ano e retorno para a Itália foi uma boa solução.


Voltando ao futebol italiano, Lukaku se reencontrou. Mais uma de várias boas temporadas da carreira, e a Inter de Milão correu para recomprá-lo. Mas nesse caso, outra música brasileira, dessa vez do grupo de samba Raça Negra, poderia fazer a trilha sonora. A torcida “nerazzurri” poderia cantar "você jogou fora, o amor que te dei, o sonho que sonhei... isso não se faz”. Isso, já que Lukaku autorizou seu advogado a entrar em negociações com a Juventus, clube rival da Inter. Resultado? As negociações para um retorno em definitivo definharam, e agora desafeto da torcida “interista”, o belga foi jogar na Roma.


Mais um empréstimo, gols importantes durante a Série A italiana, mas a vontade do time da capital de contar com o atacante em definitivo esbarrou nas questões financeiras.

A carreira de Lukaku na seleção belga foi agradável do ponto de vista individual, mas a expectativa de títulos que havia para seleção de futebol da Bélgica não se concretizou. Kevin de Bruyne, Eden Hazard, Thibaut Courtois... estiveram juntos, mas fracassaram na missão. O ponto alto da que ficou conhecida como a geração belga foi a semifinal na copa da Rússia em 2018.


Então, voltemos ao presente. Antonio Conte, do Napoli, pediu a contratação de Lukaku, que tentará ser um bom substituto para o nigeriano Osimhen. Mais um desafio em uma carreira que poderá ser lembrada de diversas formas, mas não foi de modo nenhum linear. Romelu não conseguiu conquistar muitos títulos importantes, desperdiçou a idolatria da torcida da Inter de Milão e não conseguiu figurar entre as principais opções para ganhar prêmios individuais. Teve grandes temporadas em grandes campeonatos, mas sempre pareceu bater na trave nos grandes momentos. Acabou sendo refém de suas escolhas e, por vezes, fez jus ao ditado popular “estava no lugar errado, na hora errada”.


O exercício de pensar o que poderia ter sido feito diferente é sempre difícil. A carreira de Lukaku daria um filme, mas não daqueles com volta no tempo. O passado é sempre ausente. O que o belga tem nas mãos é uma nova oportunidade, agora mais maduro. Raul seixas dizia: “Nunca é tarde pra começar tudo de novo”. Romelu Lukaku já mostrou não ter medo de recomeçar. Nada impede o grande jogador belga de escrever um novo e belo capítulo pro filme da sua trajetória. Audiência, não faltará.

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