Colin em Preto e Branco - Se Liga!

Atualizado: 8 de mar.

A minissérie da Netflix conta a história da adolescência de Colin Kaepernick, um jovem negro adotado por pais brancos e com um potencial grande para ser um atleta profissional nos EUA. A produção exibe os dilemas inerentes ao garoto, desde a escolha de qual carreira seguir até a escolha da cabeleireira certa e não ficar com o couro cabeludo ardido. Tudo isso transitando pela influência preta estadunidense e os conflitos gerados pelo choque de cultura (um salve pros nossos queridos pilotos) existente entre ele, seus pais e um país inteiro.
No dia 14 de agosto de 2016, um jogo de pré-temporada da NFL - que não vale absolutamente nada e os titulares costumam ser poupados - iria se tornar um marco na história do esporte, não apenas o da bola oval. O quarterback titular do San Francisco 49ers
se recusou a ficar de pé durante a execução do hino nacional dos EUA, em forma de protesto, e repetiu essa recusa durante toda a temporada regular. Primeiramente o jogador ficou apenas sentado no banco de reservas, mas depois seguiu dobrando o joelho no chão e iniciou um gesto que teve a repetição de colegas da liga, apoio de outros atletas do esporte, algumas celebridades e, até mesmo, do então presidente Barack Obama.

Entretanto, o camisa 7 sofreu forte retaliação de um país a caminho do "Make America Great Again", na iminência de eleger Donald Trump - laranjão maluco, antidemocrata e condenado criminalmente - como presidente. Kaepernick foi considerado desrespeitoso com um símbolo nacional, enquanto a cerne do problema e justificativa dos protestos do atleta era ignorada: a morte de pessoas negras pela polícia estadunidense, causadas por um racismo estrutural explícito no país. O quarterback, que levou o 49ers ao Super Bowl em 2013, optou por ter seu contrato rescindido em 2017. Entretanto nunca mais voltou a jogar na NFL, muito por falta de espaço, apesar de ver na TV um monte de pereba sendo titular na liga.
Colin Em Preto e Branco não conta a história detalhada desses episódios de protesto iniciados pelo Kaepernick, mas vai mostrar experiências e vivências do Colin que o transformaram no atleta e ativista de hoje, narradas pelo próprio em algumas interludes, onde ele dialoga alguns pontos envolvendo passado e presente, ostentando seu cabelo black e um look preto bem estiloso.
Com ótimas atuações e uma narrativa excelente, a minissérie mostra aspectos do esporte colegial e como ele é valorizado pelo estadunidense. Além disso, traz problemáticas adolescentes, como a escolha pro futuro de um jovem talentoso no futebol americano e no beisebol, uma relação com pais de outra etnia e a não-compreensão de aspectos culturais, presentes na vida de um e ausente na vida de outros. O mais importante disso tudo é o êxito da produção em costurar tudo isso e demonstrar pro público como esses pontos, e alguns outros, estão relacionados. Todos os elogios para Ava DuVernay (co-produtora, que também está envolvida em produções como Selma e Olhos Que Condenam) são merecidos.
A minissérie tem seis episódios. É o suficiente para assistir durante o dia e refletir durante a noite. Ela traz ensinamentos importantes sobre assuntos tratados de forma leve, mas com toda atenção que merece. Colin Kaepernick é um símbolo antirracista e eternizou um gesto que é repetido além do atlântico, na Premier League, e atualmente tem sua execução permitida pela liga que o rejeitou. Colin sentiu, sofreu e viveu o poder do esporte nos EUA. Mais ainda o racismo. Ele tem muito pra contar e quer fazer isso. Prestemos a devida atenção.




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