ADUC: Legado Imperial - Perfil

Uma atlética que é autoridade quando o assunto é fazer história.
O que pode surgir de uma resenha entre amigos? Piadas, boas histórias, risadas e memórias inesquecíveis são, com certeza, um pouco do que se leva de momentos confraternos. Mas, e se numa resenha como essa, além de tudo isso, também surgisse uma atlética universitária?
Foi o que aconteceu no final de 2015, numa reunião de estudantes de direito da Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Em um clima completamente descontraído e inusitado para fundar uma atlética universitária, com muitos jogos e brincadeiras, surgiu a ideia de fundar uma atlética para tornar a experiência universitária, convencionalmente exaustiva, mais leve.
Nascia, então, a Atlética de Direito UCSAL, mais conhecida como ADUC. Certamente, não do modo como a conhecemos hoje, mas com a mesma humildade e compromisso de alguém que, mesmo grandioso no que faz, tem como maior pilar o amor.
Oficialmente, considera-se que a ADUC surgiu em 2016, pois a ata daquela primeira “reunião” de 2015 se perdeu nas passagens do tempo. Mas algo que não se perdeu desde o início foi o apoio de quem tinha vontade de fazer essa ideia dar certo.
Um desses nomes é Caio Teixeira, atleta do time de handebol masculino, que desde o princípio é um grande alicerce da ADUC, contribuindo com patrocínios e sendo um membro ativo nas reuniões, mesmo após concluir o curso.
Por outro lado, outros estudantes precisaram de um tempo para abraçar a ideia de se engajar com a atlética. Essa resistência ao movimento atleticano está vinculada, principalmente, à concepção da atlética como um lugar de desordem, que em nada agrega à vida profissional.
A ADUC quis romper com esse pensamento; desde o seu surgimento, investiu em eventos que promovessem uma verdadeira criação de laços entre os estudantes, e também utilizou essas ocasiões para fomentar o espírito esportivo nos futuros atletas, firmando a ideia da atlética como algo essencial na vida universitária.
A própria instituição vem buscando inserir a atlética como parte essencial do corpo estudantil. Hoje, a ADUC possui um espaço físico e social firmado na UCSAL, com uma sala própria para a instância e diálogos mais acessíveis com a reitoria, em que é possível discutir as demandas da atlética.
Léa Medeiros, membro da ADUC, foi uma figura importante para o fortalecimento dessa relação com a Universidade, com destaque para sua ajuda fornecida na realização de palestras e eventos da atlética dentro do espaço da faculdade.
Sem dúvidas, para fazer um projeto desse porte manter-se de pé, é preciso confiança no processo. E isso implica em também reconhecer as suas limitações. Laila Rangel, atual presidente da ADUC, apesar de pontuar as grandes evoluções vividas pela atlética ao longo dos anos, também destaca as disparidades no mundo atleticano em relação às atléticas maiores - geralmente dos cursos de medicina -, sobretudo pelo prestígio social maior que estas costumam receber. Por isso, Laila descreve o trabalho da ADUC como de “formiguinhas”. Ou seria melhor dizer “pombinhos”?
O Pombo — Mascote do império
Símbolos são importantes para a comunicação, mas indispensáveis para a identidade. Um povo ou grupo se reconhece por algum símbolo, seja ele físico ou sentimental. E com os membros da ADUC não seria diferente: o Pombo Imperial é o grande responsável por representar esse coletivo atleticano.

Ao escolher um mascote, é comum que se pense num significado para ele, e no que levou essa escolha a ser feita. O Pombo da ADUC não tem um, mas vários significados; na verdade, teorias para o porquê de essa ser a marca da atlética.
A principal delas é que o campus da UCSAL da Federação tinha (e ainda tem) muitos pombos, então não foi difícil fazer a associação. Outra coincidência é a presença do animal na bandeira da universidade.
No lado afetivo, existe a explicação de que o pombo vive num ninho, o lar de sua família, tal como a ADUC enxerga a relação entre os membros, de acordo com Laila: como membros de uma só família.
No final, não é como se precisássemos escolher uma dessas teorias para explicar o Pombo Imperial - a coexistência entre elas faz desse animal ainda mais certeiro para ser a cara e a marca dessa atlética.
É pela estampa e cores da marca que reconhecemos a sua presença nos lugares e vemos o quanto as pessoas têm orgulho de vesti-la. Criar esse sentimento de amor pelo azul e amarelo da ADUC é primordial para a diretoria.
Na visão deles, é muito importante que a marca da atlética seja acessível e um número maior de pessoas possa utilizá-la. Quanto mais pessoas puderem ter condições de mostrar que são membros da ADUC e orgulho em exibir a estampa do Pombo Imperial afora, melhor.
O Ninho — Onde a família acontece
A setorização da ADUC como conhecemos hoje começou a partir de 2018-2019. O corpo atleticano ganhou consistência com o passar do tempo, e hoje é formado por presidência, conselho, diretorias — esportes, financeira, produtos, eventos e marketing — e atletas.
Esses últimos, em especial, são o coração da ADUC. É a partir dos times montados que as principais interações acontecem e novas estrelas do esporte são apresentadas. Na seleção de atletas, mais do que buscar por jogadores, a ADUC tem a intenção de formar uma família, e tenta abraçar as pessoas o máximo possível nesse processo.
"A ADUC tem um trabalho de captar os atletas do zero e torná-los grandes, não gostamos de segregar. A inclusão é o pilar principal para montar o time" - Laila Rangel, presidente da ADUC
Para além do esporte, a ADUC estimula o protagonismo de seus membros na vida. O cuidado, em especial com a geração pós-pandemia, afetada com o isolamento, é de promover capacitação profissional, networking e apoio em outras esferas da vida. A atlética não pode ser um empecilho no cotidiano dos integrantes. E vem cumprindo bem essa tarefa.
Pombos alçando novos voos
As competições universitárias são o momento de colocar em prática o que foi feito durante o ano. A principal delas, os Jogos Universitários de Direito (JUD), desde o seu início em 2016, presenciou atuações memoráveis dos atletas da ADUC, sobretudo na equipe de handebol masculino.
Esse time é conhecido pela formação de longa data e partidas históricas, e hoje são os grandes campeões do JUBS 2024, competição nacional de atléticas universitárias. Mas, como todo ciclo tem um início e fim, o deles não seria diferente, e o time está se renovando.
Vários atletas já estão perto de se formar, e outros já até são formados, mas seguem no time pois algumas competições permitem. O fato é que o momento atual é de passagem de bastão.
Muitos dos rostos que estamos acostumados a ver no handebol masculino da ADUC, começaram no time desde jovens, e hoje vivem a missão de passar o legado para uma próxima geração honrar os nomes de quem veio antes e que ajudou a construir a história da atlética.
"Os meninos me ensinaram muito, tanto na forma de jogar, quanto na de respeitar o outro. A gente joga limpo e se sente honrado por isso. Temos uma nova geração querendo entrar, e estamos vendo o momento disso acontecer" - João Ramos, atleta do handebol masculino e membro da diretoria da ADUC.
Quanto a ganhar ou perder, a verdade é que ninguém nasce pronto para ser o melhor. Mas, ao lado de uma família, qualquer resultado é bem vivenciável. João Ramos completa: “O handebol masculino da ADUC ama a modalidade, mas ama muito mais a família que se criou.”
Império — Legado e história
O Pombo Imperial vem voando cada vez mais alto. Alguns rivais fazem parte de sua jornada, e os mais famosos são a Soberana, de Direito da Unifacs, e a atlética de Direito da Federal.
O nível de competitividade está crescendo e vem acompanhado, claro, do respeito. O segredo é, no final das contas, reconhecer no outro o que pode servir para a gente, e assim elevar o nível cada vez mais.
A ADUC ainda tem muito tempo para continuar nos surpreendendo. Mas o que já vem sendo feito, podemos chamar de legado, ou pelo menos, do início dele. Seja no esporte, ou nas relações, tem algo que já inseriu o nome da ADUC na história, e talvez ela seja o seu próprio legado.
"Nosso legado é a nossa história. Cada pessoa carrega um propósito e a bandeira da ADUC de uma forma, cada um tem um universo dentro da própria vida, desde os fundadores, até chegar na configuração de hoje. O que eu sei é que, no meu ano de despedida, eu espero que quem carregue a bandeira da ADUC no futuro leve os nossos ideais. Nossa história é feita de amor e transformações através do esporte, dos eventos, processos de liderança, e dos nossos sorrisos em quadra" — Laila
A história ainda está sendo escrita, mas já é daquelas de glória.




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