Por que o Bahia não consegue ser tão letal como o Flamengo?

Bahia equilibra jogo, mas perde para o Flamengo e se afasta da liderança no Brasileirão

Na noite do último domingo (19), o Bahia conheceu sua terceira derrota no Campeonato Brasileiro 2026, a segunda em confrontos diretos. Aspirando à liderança da competição, o Esquadrão visitou o Flamengo – favorito ao título todo ano desde 2019, com o qual estava empatado em pontos, jogos e triunfos – e foi derrotado por 2 a 0.
Embora mal tenha passado do meio de campo nos 30 minutos iniciais de partida (e sofrido o primeiro gol nesse intervalo de tempo), o tricolor serviu seu torcedor e os demais espectadores com uma postura agressiva e competitiva, diante de um time cujo sucesso nestes atributos tem ultrapassado dimensões continentais. Nas estatísticas gerais, 20 finalizações dos cariocas contra 13 dos baianos; na mesma ordem, oito chutes a gol contra cinco. Não poderia ser diferente um confronto entre o melhor mandante e o melhor visitante do torneio.
Por outro lado, vejamos o número de chances perigosas criadas: cinco a zero para o Flamengo (é o que diz o 365Scores, de onde tirei os dados). Quem assistiu ao jogo poderá contar o chute de Jean Lucas no travessão e a defesa do goleiro adversário quando Erick Pulga bateu de dentro da área. O Flamengo, além dos gols, ainda obrigou Léo Vieira a fazer seis defesas. Justo. Material humano para isso não falta.
Mas o jogo de ontem foi só mais uma prova de que, se o Bahia tivesse ao menos um centroavante matador – como Carlos Vinícius, artilheiro do campeonato pelo Grêmio, 13º colocado – poderia não apenas ter pontuado na rodada, como também se classificado para a Libertadores em março e alcançado marcas ainda mais expressivas nos últimos dois anos. Parece exagero falar de um jogador só, mas vamos ver os centroavantes dos times que estão à frente do Esquadrão na tabela (e o Athletico, primeiro atrás):
Flaco López (Palmeiras): 3 gols em 12 jogos
Pedro (Flamengo): 5 gols em 11 jogos
John Kennedy (Fluminense): 5 gols em 11 jogos
Calleri (São Paulo): 6 gols em 11 jogos
Viveros (Athletico): 6 gols em 11 jogos
Com exceção de Flaco, todos os nomes listados estão disputando artilharia. E faz total sentido, afinal, em um campeonato de pontos corridos, só pontua quem vence, e, obviamente, só vence quem faz gols. Mas Willian José e Everaldo, que hoje disputam a referência do ataque tricolor, juntos, fizeram cinco gols (no caso de “Eve”, os três contra o Athletico). Felizmente, Luciano Juba, artilheiro do Bahia na competição com quatro gols, tem suas poderosas finalizações de fora da área para salvar o emprego dos seus companheiros.
Mas, embora a ausência de um “camisa nove” regular não seja o único problema do Bahia, ter um certamente faria grande diferença. Literalmente, a função dele é mandar a bola na rede. Não existe um centroavante terminar um jogo zerado em chutes com seu time tendo finalizado 13 vezes. Pelo menos não em um time que briga pelas primeiras posições de um campeonato.
Medidas precisam ser tomadas caso o Esquadrão queira voltar a conquistar um título brasileiro.




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