O fantasma da libertadores volta a assombrar o Corinthians

A eliminação do Corinthians na Libertadores, em plena Neo Química Arena, na quarta-feira (17), deixa a sensação de potencial desperdiçado. O time vive há anos sob o lema de que “se não for sofrido, não é Corinthians”, mas esse comportamento é inadmissível diante da oportunidade de chegar à semifinal. Nas duas partidas, de ida e volta, a equipe gerou pouco incômodo ao Estudiantes e desperdiçou diversas oportunidades.
Depois do empate fora de casa, a sensação era de que as coisas estavam encaminhadas. A decisão seria em Itaquera, e a torcida tinha esperança. Não foi o que aconteceu. Em campo, só um jogador pareceu realmente empenhado em dar trabalho ao goleiro do Estudiantes: Kaio César.
Houve um pênalti marcado no último lance. Não existe nada mais Corinthians do que isso, uma chance nos últimos minutos de jogo, e o pênalti coube a Memphis Depay. Havia uma expectativa enorme em cima dele, ainda mais depois de toda a espera da renovação, que se arrastou por várias negociações até a permanência. Em dois anos de Corinthians, foram 6 pênaltis cobrados com 50% de aproveitamento.
Por um momento, a torcida parou de respirar. O jogo não podia terminar daquele jeito, era a última chance, talvez o reencontro com a esperança de que algo maior ainda fosse possível. Não foi nem um pênalti defendido: foi vergonhosa a forma como a cobrança saiu pela linha de fundo.
O episódio não é isolado. A campanha de Fernando Diniz vem tendo altos e baixos, como em praticamente todos os clubes por onde passou. Há um padrão claro: vitórias no início, jogadores que evoluem de forma significativa sob o seu comando — a melhora de Garro é o exemplo mais visível — e, depois, a sequência de derrotas e o risco de rebaixamento. Eram cinco derrotas seguidas no Brasileirão até aquela altura, agora são seis, com o 3 a 1 para o Fluminense. Diante da posição do Timão na Libertadores, ficou entendido que o Campeonato Brasileiro seria deixado de lado em nome do torneio que parecia mais promissor. No fim, sobrou a conta dos dois lados.
Assim se acumula mais um capítulo na história do clube, ao lado de 2011 contra o Tolima, 2006 e 2003 contra o River Plate, 1999 e 2000 contra o Palmeiras e 2015 contra o Guaraní-PAR. Está escrito na linha do tempo do Corinthians derrotas marcantes, como a do dia 17 de setembro.
No dia 18, os Gaviões da Fiel se pronunciaram. Em meio às cobranças, o presidente da torcida afirmou que o clima no clube está pesado. Mas, mesmo no desabafo, ficou claro que a responsabilidade não é 100% dos jogadores. A presidência e a administração respondem por boa parte das perdas e das dívidas atuais. Hoje, o clube só não entrou em falência porque é um time de futebol. Em ano de eleição do Corinthians, é necessária uma mudança completa nesse cenário atual para que, talvez, o time volte a melhorar.




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