Novas soluções e problemas iguais
A incompetência e amadorismo da arbitragem no futebol brasileiro

Historicamente, árbitros brasileiros não tinham o futebol como uma fonte de renda fixa e exerciam a função apenas como um “bico”. A exemplo de Anderson Daronco, que atuava como professor de educação física, Marcelo de Lima Henrique, que é militar e Matheus Candançan, que é engenheiro. A realidade da profissionalização da arbitragem está sendo mudada, porém, ainda de forma insuficiente a nível de futebol.
“Um dia histórico para o futebol brasileiro”, assim foi a definição de Rodrigo Cintra (presidente da Comissão de Arbitragem da CBF), referindo-se à constituição da profissionalização dos árbitros no Brasil. De lá para cá, inovações ocorreram no quadro de juízes do Brasileirão, agora os profissionais possuem contrato como pessoa jurídica, auxílio de psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, além de capacitação técnica. Dito isso, a pergunta que persiste é: a arbitragem brasileira realmente se profissionalizou?
NOVA GESTÃO
Comprometido com grandes mudanças, Samir Xaud assumiu o cargo de presidente da CBF no dia 25 de maio de 2025. Após quase um ano de mandato, várias promessas ainda não foram cumpridas, como a não implementação do impedimento semiautomático, prometido para o início do Brasileirão, a não aprovação do fair-play financeiro, a falta de padronização dos gramados, a não criação de uma liga unificada e o principal ponto: a falha profissionalização da arbitragem.
ARBITRAGEM
Após a constituição da profissionalização da arbitragem no dia 3 de abril, já aconteceram 4 rodadas do Brasileirão, em pelo menos três, houve erros escandalosos, admitidos pela própria comissão. Na 10° rodada, no duelo entre Vasco 1x2 Botafogo, o atleta Saldivia do time cruz-maltino não foi expulso incorretamente, na 11°, no confronto entre Mirassol 1x2 Bahia, Everton Ribeiro sofreu um pênalti claro não marcado. Na 13° rodada, mais um erro é cometido, desta vez com reincidência, prejudicando o Vitória diante do CAP na Arena da Baixada.
Na ocasião, com 7 minutos de jogo, o atleta Luiz Gustavo cometeu uma ação temerária atingindo o volante Zé Vitor, lance que, para alguns especialistas já cabia o cartão vermelho direto, porém foi advertido apenas com amarelo, no segundo tempo o mesmo atleta simulou uma falta e interrompeu o jogo agarrando a bola, mesmo assim, não recebeu o segundo cartão. Além da não expulsão de Luiz Gustavo, foi marcado um pênalti inexistente a favor do furacão, e houve um cartão vermelho sonegado ao CAP, após uma entrada violenta no atacante Renê.
Os responsáveis por essa partida eram Bruno Arleu de Araújo, como árbitro e Rodrigo Nunes de Sá, na cabine do VAR, por ironia do destino (ou não) o último jogo que essa dupla atuou junto foi Sport 1X2 Palmeiras, na ocasião o time nordestino foi derrotado com um pênalti inexistente. Após a partida ambos receberam uma suspensão, e após 2 rodadas já estavam atuando novamente.
Antes do fatídico Athletico Paranaense 3x1 Vitória, o último jogo apitado pelo mesmo Bruno Arleu entre um time sulista e nordestino havia sido Grêmio 1x0 Bahia. No confronto, o tricolor gaúcho ganhou com um gol de pênalti também inexistente, marcado em campo pelo árbitro.
Por questões como essas, o futebol brasileiro segue enfrentando grandes problemas com visibilidade e isonomia, além de sofrer com a desvalorização da competição como produto, afetando a credibilidade interna e externa.




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