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Mais treino, menos jogos, mesmo Bahia

Foto do escritor: Melissa Moraes
Melissa Moraes
22 de ago.
2 min de leitura
Foto: Letícia Martins/EC Bahia
Foto: Letícia Martins/EC Bahia

Está cada vez mais difícil encontrar palavras para definir o 2026 do Esporte Clube Bahia. O Tricolor ganhou um mês e meio de preparação para jogar uma única competição durante todo o segundo semestre – porque saiu de todas as outras em três meses – e, quem sabe assim, conquistar a tão sonhada vaga direta para a Libertadores. Mas os resultados, até agora, têm sido questionáveis: apesar de ainda não ter perdido em jogos oficiais desde o retorno, o Esquadrão empatou cinco seguidos – incluindo os dois últimos, contra o vice-lanterna Vasco e a lanterna Chapecoense – e isolou-se como o time com mais igualdades no Brasileirão (10).


O que se vê é um time que parece não treinar, pois, em campo, não mostra repertório algum. Apesar do intervalo de uma semana antes de cada jogo, os problemas permanecem os mesmos: sem dinâmica, pouco criativo, com dificuldades na saída de bola e um ataque paupérrimo em eficiência. Tudo isso resulta em um time altamente exposto e praticamente inofensivo ao mesmo tempo.


“Ah, mas como ainda não perdeu?” Eu digo: dos cinco adversários que o Bahia enfrentou depois da pausa, três estão entre os piores ataques da Série A (Chapecoense 2x, Vasco e Corinthians, nesta ordem, embora haja alguns outros times empatados) – e pasmem, sofreu três gols da Chapecoense – sem deixar de mencionar a partida impecável de Marcos Victor e Mingo contra o Fluminense, razão pela qual o Tricolor de Aço não foi goleado. Os outros oponentes pouco assustaram o goleiro Ronaldo. No entanto, ainda assim a equipe está muito exposta devido aos constantes erros na saída de bola e dificuldade dos meias em segurar a posse (salvo por muito Acevedo, que tem sido o motorzinho desse time), o que deixa constantemente os atacantes adversários em situação de mano a mano.


Quanto ao desempenho ofensivo, podemos resumir de forma muito breve: 83 finalizações e apenas 19 no alvo (em eficiência, aproximadamente 25%). Felizmente, o jogo pelos lados – sobretudo o esquerdo – continua sustentando o ataque do Esquadrão, mas tanto os pontas como os centroavantes seguem devendo muito em pontaria. “Ah, mas o Bahia tem o 5º melhor ataque do Campeonato!”... Se tirarmos, dos 32 gols marcados, os 7 de Juba, sobram 25. Isso quer dizer que, se não fosse pelo lateral-esquerdo, esse ataque seria o 3º pior, junto a Mirassol e Corinthians. É inadmissível, por si só, um time que briga por Libertadores ter esses números; mas pior ainda é, depois de tanto tempo de preparação, nada ter mudado.


Com o calendário bem menos cheio em relação a 2025, o técnico Rogério Ceni agora se esconde atrás do gramado (dentre outras desculpas) para tentar justificar o marasmo do time que pessimamente comanda há anos. Mas com este pós-Copa, torna-se cada vez mais impossível defender um trabalho marcado por pontos perdidos, oportunidades desperdiçadas e consecutivos “quases” que decepcionam, ano a ano, uma das torcidas mais fiéis do país.


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