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Histórias da Copa #4: Cabo Verde

Foto do escritor: Eric Tavares
Eric Tavares
1 de jun.
3 min de leitura

O que conhecemos como arquipélago de Cabo Verde são dez ilhas vulcânicas na costa oeste da África. Com pouco mais de meio milhão de habitantes e uma área de cerca de 4.000 km², Cabo Verde tem algumas ligações com o Brasil: também foi colonizada por portugueses e tem o português como língua oficial. O Histórias da Copa convida seus leitores a conhecerem como um pequeno arquipélago de ilhas conseguiu chegar até a maior competição de futebol do planeta.


Reprodução: @fcfcomunica/Instagram
Reprodução: @fcfcomunica/Instagram

O país africano estreia marcando a história da Copa do Mundo: é a segunda menor nação em território a se classificar para o torneio e a terceira menor população. Em ambas, perde para Curaçao. Mas os Tubarões Azuis, atual 69° lugar do ranking, não se destaca apenas por sua história ou geografia, mas por ser um time extremamente organizado durante as eliminatórias.


A equipe é comandada pelo ex-jogador Pedro Leitão Brito, conhecido como Bubista. O ex-zagueiro atuou pelos Tubarões Azuis de 1991 até 2005. Em 2024, já sob o comando do técnico, Cabo Verde conseguiu uma campanha histórica até as quartas de finais da Copa Africana de Nações. A eliminação ocorreu para a África do Sul. Depois de 120 minutos sem gols, foram superados por 2x1 nos pênaltis.


Desde 2020, Bubista buscou montar uma equipe forte defensivamente. Cabo Verde não foi a melhor defesa do seu grupo, mas sofreu apenas oito gols durante todos os 10 jogos das eliminatórias, metade deles na goleada de 4x1 aplicada por Senegal. Uma média menor que um gol por jogo. A equipe não sofreu gols em seis das 10 partidas do grupo. Dentro de seus domínios, passaram limpos.


A equipe joga em um 4-3-3 agressivo em transição. Com dois volantes, lançam os pontas em velocidade para aproveitar os espaços. O técnico Bubista foi o responsável por trazer grande parte dos jogadores que participam desse sistema para atuar pela seleção. No fim, o time tem o DNA dele.


Reprodução: CNN Brasil
Reprodução: CNN Brasil

Cabo Verde, no entanto, estava longe de ser a favorita do seu grupo. Contra todas as indicações, superou uma das potências africanas que venceu o Brasil em 2022, a seleção de Camarões, mantendo a liderança durante boa parte da competição. A consagração da vaga ocorreu após vencer Eswatini por 3x0, na última rodada. Uma campanha de sete vitórias, dois empates e uma derrota colocou Cabo Verde na Copa do Mundo 2026. Em entrevista à ESPN, o presidente do país, José Maria Neves, considerou a classificação como um feito equivalente à independência.


O elenco de Cabo Verde, apesar de não ser muito estrelado, reúne muitos jogadores que construíram suas carreiras pelo futebol europeu, principalmente em Portugal. Jovane Cabral, com passagem pelo Sporting; o atacante Nuno da Costa, com carreira por times franceses e turcos; o meia Yannick Semedo, que atuou em diversas equipes do futebol português; e outros.


Reprodução: @fcfcomunica/Instagram
Reprodução: @fcfcomunica/Instagram

Mas como um país formado por apenas 10 ilhas conseguiu formar um time com tantos jogadores de carreira no futebol europeu? Graças à diáspora de nativos das ilhas para regiões da Europa. Há cerca de 500 mil cabo-verdianos morando nas ilhas, mas estima-se que 1,5 milhão morem fora delas. Muitos jogadores da atual seleção não nasceram nas ilhas, mas são descendentes de moradores. Essa é a principal fonte de atletas da seleção para manter sua equipe competitiva. O atacante Nuno da Costa, por exemplo, nasceu na França. Dos 23 jogadores que conquistaram a classificação, 13 não nasceram no país.


Isso não significa que as ilhas não produzam grandes atletas também. O ponta Jovane Cabral, por sua vez, nasceu em Assomada, uma das ilhas de Cabo Verde, e fez sua base no Sporting, de Portugal.


Apesar do crescimento de pessoas que defendam seleções compostas apenas de jogadores nativos pelo mundo, isso pouco importa para a população de Cabo Verde. A seleção e seus jogadores são amados e festejados onde passam. Recentemente na ilha do Sal, um dos arquipélagos do país, os jogadores foram recebidos com muita festa. Eles verão sua seleção no maior torneio de futebol do mundo.


Reprodução: @fcfcomunica/Instagram
Reprodução: @fcfcomunica/Instagram

O governo também teve papel importante na campanha de Cabo Verde. O Estado cobriu os custos de viagem e garantiu o melhor deslocamento possível para a delegação durante as eliminatórias. Na África, algumas viagens dentro do continente podem durar muito tempo. Para chegar em Angola, uma das seleções do grupo, o elenco teve que viajar por quase 10 horas. Segundo o presidente, a classificação era essencial para aumentar a autoestima de toda a população.


O governo também atuou na captação e naturalização dos jogadores. A captação de talentos funcionou tão bem na seleção que pretendem estender a política para outras profissões. A ideia é qualificar não apenas o futebol, mas o país como um todo.


Na Copa do Mundo, Cabo Verde provavelmente é o azarão de um grupo com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Um dos grupos da morte desta edição, mas também um dos mais interessantes de acompanhar.


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