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Histórias da Copa #3: Curaçao

Foto do escritor: Eric Tavares
Eric Tavares
28 de mai.
3 min de leitura

A capital menos populosa do Brasil é Palmas, no Tocantins. Segundo dados do IBGE divulgados em 2024, estima-se que a cidade tenha pouco mais de 323 mil habitantes. Salvador, em comparação, tem incríveis 2,5 milhões de pessoas. Curaçao, contudo, tem cerca de 150 mil. O Histórias da Copa de hoje vem falar sobre o país com a menor população a disputar uma Copa do Mundo, a estreante Curaçao.


Reprodução: @concacaf/Instagram
Reprodução: @concacaf/Instagram

Seu território é formado por duas pequenas ilhas localizadas no Caribe Neerlandês - região do Caribe colonizada pelos Países Baixos (Holanda) -, que juntas medem pouco mais de 400 km². Seus três idiomas oficiais são o neerlandês, inglês e papiamento - uma mistura de português, espanhol e neerlandês.


Há pouco mais de 20 anos, no entanto, Curaçao sequer existia como país independente. Era parte das Antilhas Neerlandesas, um antigo território autônomo do Reino dos Países Baixos. Com a dissolução da federação, em 2010, Curaçao tornou-se um país autônomo, com a administração da política externa, defesa e supervisão das finanças ainda coordenadas pelo reino.


Está enganado quem acredita que a ligação entre Curaçao e Países Baixos ficam restritas apenas ao campo político. O país do Caribe não tem futebol profissional. Mais grave ainda, Curaçao passou quase três anos sem sequer um futebol amador durante o ciclo para a Copa do Mundo de 2026. Seu atual presidente, Gilbert Martina, assumiu o comando da Confederação Curaçauense de Futebol em abril de 2025. Segundo ele, em entrevista à ESPN, o objetivo é firmar uma liga nacional profissional no país nos próximos anos.


Reprodução: Estadão
Reprodução: Estadão

Em 2010, a seleção de Curaçao surgiu como sucessora das Antilhas Neerlandesas em competições internacionais. Sem a prática do futebol profissional e com uma população pequena, era difícil montar uma equipe competitiva. A solução? Apostar nas vantagens da ligação com a Holanda. A maioria do elenco de Curaçao é formado por jogadores nascidos e que jogam no país europeu. Até mesmo o técnico, Dick Advocaat, é neerlandês.


A primeira competição internacional de Curaçao foi as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A estratégia funcionou e a seleção conseguiu competir em sua região. Em 2017, participou pela primeira vez de uma Copa Ouro da Concacaf, mas foi eliminado perdendo todas as três partidas da fase de grupos. Em 2019, uma campanha histórica até as quartas de finais, perdendo para os Estados Unidos. Em 2022, quase esteve entre as 32 classificadas para a Copa do Mundo no Catar. Na penúltima fase, derrota de 2x1 para o Panamá.


Curaçao estava evoluindo e só precisava de uma oportunidade para participar de sua primeira copa. Sem México, Estados Unidos e Canadá, potências da região, o caminho estava livre.


Com quatro vitórias em quatro jogos, passou facilmente da primeira fase em um grupo formado por Haiti, Barbados, Aruba, e Santa Lúcia. Na segunda fase, três vitórias e três empates para garantir a equipe no mundial de 2026. A classificação invicta veio com muita festa após empate em 0x0 contra a Jamaica, concorrente direto. O menor país estará na maior competição do mundo.


Reprodução: @concacaf/Instagram
Reprodução: @concacaf/Instagram

No elenco de Curaçao há alguns jogadores com carreiras no futebol europeu. Nomes como o atacante Tahith Chong, com passagem pelo Manchester United; os meio campistas Juninho e Leandro Bacuna; o também atacante Jurgen Locadia, que já jogou pelo PSV, da Holanda; o zagueiro Bazoer, revelado pelo Ajax; e mais.


Um caso curioso ocorreu poucos meses antes da Copa do Mundo. Dick Advocaat, treinador durante toda a campanha, pediu demissão do cargo em fevereiro deste ano para cuidar da saúde de sua filha. O também neerlandês Fred Rutten foi escolhido para comandar o time durante a preparação para a copa. Durou apenas dois jogos: derrotas para China e Áustria.


Por pressão da imprensa e dos próprios jogadores para a volta de Advocaat, Rutten renunciou ao cargo contra os desejos do presidente da federação. Sem escolhas, chamou Dick Advocaat, que aceitou o convite. Aos 78 anos, será o técnico mais velho a comandar uma seleção durante o torneio.


Reprodução: Goal.com
Reprodução: Goal.com

Curaçao caiu no grupo E, junto com Alemanha, Equador e Costa do Marfim. Se tudo ocorrer como o esperado, será o lanterna. Porém, Gilbert Martina assegurou:


"Não vamos para a Copa do Mundo apenas por três jogos. Vamos para pelo menos nos classificarmos para a segunda rodada”.

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