A melhor defesa é o ataque, ou o melhor ataque é não perder?


Na reta final do segundo maior campeonato de futebol do ano, tivemos a resolução das semifinais e cada um dos confrontos foram recheados de discussões e construções narrativas pelo público e em grandes veículos da mídia esportiva.
Arsenal (2) 1 x 0 (1) Atlético de Madri
Na terça-feira (5) o atual líder da Premier League recebeu o Atlético de Madri em casa vindo de um empate morno no primeiro jogo da decisão. Com uma proposta que não se alterou muito de uma partida para a outra, o time da capital espanhola buscava uma “não derrota” e delegava suas poucas chances criadas para o ótimo (e disputado por outros grandes clubes) atacante Julián Alvarez, ou se ancorava em situações esporádicas de jogadas rápidas, que acabaram por não causarem tanto impacto.
No outro lado, o time do Arsenal até explorou o campo de ataque algumas vezes, mas quando era exigido um pouco mais de tempo com a bola no pé, os jogadores acabavam pecando na parte técnica. Apesar da entrega física, o centroavante sueco da equipe londrina não estava em sua melhor noite, desperdiçando jogadas e se atrapalhando algumas vezes quando lhe cabia a tomada de alguma decisão individual. Os destaques positivos do jogo da volta ficam para Bukayo Saka, jogador responsável pelo único gol da partida, Declan Rice que novamente faz uma partida sólida equilibrando uma intensa marcação e um controle bom da posse do time, e pelo excelente bloco defensivo do time do Arsenal, iluminando o melhor zagueiro do mundo: Gabriel Magalhães.
Bayern de Munique (5) 1 x 1 (6) Paris Saint-Germain
Já na quarta-feira (6) tivemos o tão aguardado retorno de Bayern de Munique x PSG, que vinham com duas enormes responsabilidades. A primeira delas era sustentarem o peso de serem duas das equipes com maior expectativa na Europa para o título da Champions League, e a segunda foi a quase impossível realização de uma partida que fosse no mesmo nível do jogo de ida em Paris, onde o time da cidade ganhou de 5x4 numa noite que terminou como um dos maiores marcos da história da competição.
Mesmo com o Bayern jogando em casa, o time visivelmente estava nervoso e isso foi agravado quando, aos 3 minutos de partida, o atual Bola de Ouro ampliou a breve vantagem que seu time já possuía. A partir disso vimos uma sequência de bons ataques do time francês parando nas mãos do lendário Manuel Neuer, que acabou sendo responsável por evitar uma grande derrota. Kvaratskhelia e Doué tiveram uma atuação de gala, passando com extrema facilidade por seus marcadores e apostando em jogadas de muita velocidade e incisividade, com o jovem francês flutuando pelas duas pontas do campo e o georgiano explorando toda sua bagagem de dribles à sua própria vontade.
Do outro lado do campo a equipe alemã encontrava muita dificuldade de criar jogadas com suas características principais, de boas trocas de passes centralizados, e lances de um contra um nas pontas. Luis Díaz e Michael Olise, que brilharam ao longo de toda temporada, não pareciam saber como concluir o que davam início e definitivamente não foram ajudados pelo meio campo apagado, com o Kimmich errando passes que geralmente não erra e sendo completamente travado pela marcação sufocante do PSG, com grande mérito de Vitinha, João Neves e Fabián Ruiz nesse aspecto.
Harry Kane também não vinha conseguindo encaixar suas jogadas ofensivas, apesar de ter contribuído bem defensivamente, mas em um ótimo pivô conseguiu empatar a partida já nos acréscimos do segundo tempo. Mas, infelizmente para o clube alemão, um gol apenas não foi o suficiente e o PSG segue para a última fase da liga.
Parâmetro para a final
Em uma das semifinais vimos dois times com uma proposta muito mais conservadora de jogo, que buscam tomar a menor quantidade possível de gols e se escoram em breves lapsos ofensivos para garantir suas partidas. É inegável os méritos defensivos, tanto do Atlético quanto (especialmente) do finalista Arsenal, que é o time que menos tomou gols nesta edição da liga, no entanto suas filosofias de jogo acabam por resultar numa experiência potencialmente um tanto tediosa para quem assiste.
Do outro lado temos uma máquina de jogar futebol, o atual campeão PSG. Por mais que o sistema defensivo seja muito bem montado, e de muita qualidade individual, o time parisiense é uma locomotiva ofensiva. Seja por uma boa distribuição de bola no meio campo, pela entrega física da melhor dupla de laterais do mundo, ou seja pela enorme capacidade técnica e física dos atacantes, que sinergizam muito bem entre si mas também têm plenas condições de resolverem sozinhos, esse time chama mais a atenção e gera sempre a expectativa de que entregarão um jogo divertido de futebol.
No dia 30 de maio conheceremos o campeão da Champions League e o que será colocado em evidência é o embate entre um futebol sóbrio e pragmático, que resulta na defesa menos vazada do campeonato no time do Arsenal, e o avassalador time do PSG, que diametralmente tem o melhor ataque da competição.




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