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A letargia como ferramenta de omissão da PaiN Gaming

Valdomiro Neto
6 de set.
3 min de leitura
Divulgação: PaiN Gaming
Divulgação: PaiN Gaming

Tradicional dentro do "Rift", mas também pioneira no cenário dos esports no Brasil, a paiN Gaming foi a primeira organização profissional de League of Legends criada no país, estreando em competições internacionais e conquistando marcos importantes, como ser o primeiro time a ter uma GH (Gaming House) para que seus atletas pudessem participar das atividades com maior concentração. A equipe liderou modelos de gestão para as outras e, muitas vezes, foi quem trabalhou para se sustentar e levar o nome do Brasil para o cenário mundial, abrindo as portas para que times pudessem se solidificar e desenvolver suas marcas.


Além do pioneirismo dentro do cenário, a paiN foi responsável por revelar nomes que hoje são considerados lendas dentro do universo do jogo. Entre eles está Gabriel "Kami" Bohm, considerado por muitos o melhor atleta da posição de mid lane da história do Brasil, além de ter como ídolos do time Matheus "Mylon" Borges e Felipe "brTT" Gonçalves, nomes de peso e que até hoje causam ótimas lembranças e despertam muito carinho de sua torcida.


Mais recentemente, em 2024, foi a primeira equipe brasileira a passar da fase de Play-In do Campeonato Mundial de League of Legends e ingressar na fase de grupos da competição, na qual enfrentou nada menos que a SKT, o maior time da história do LoL mundial.


No entanto, classificações históricas, títulos e tradição se tornam nada mais que cascas vazias para uma instituição que entra em uma espiral de erros com a sociedade que a acompanha. Recentemente, no início do ano de 2026, um de seus principais nomes, Alexandre "Titan" Lima, teve seu nome no centro de um escândalo com acusações de estupro de vulnerável e abuso sexual, em que uma das vítimas tinha 16 anos de idade, enquanto o jogador insistia em importuná-la.


As acusações surgiram depois de o atleta sofrer um "exposed" de sua ex-namorada, momento em que outras vítimas tomaram coragem e decidiram falar sobre os casos. Após o registro de um Boletim de Ocorrência, o jogador foi indiciado pela Delegacia da Mulher e passou a ser investigado por crimes sexuais.


A conduta da instituição da paiN Gaming trouxe controvérsias para a sua torcida. Como o jogador fazia parte de sua escalação principal para atuar no Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL), a instituição demonstrou certa resistência em realizar o desligamento ou tomar medidas sobre o caso. Como primeira medida, a organização tomou

a decisão de afastá-lo dos treinos, mas ainda manteve o atleta vinculado contratualmente.


A paiN Gaming manteve o seu contrato ativo com o jogador até o dia 9 de março de 2026, período em que"Titan" manteve-se realizando lives com o logo da empresa e tratava com desdém as acusações que eram geradas contra ele, além de comentários do chat em suas transmissões. Após a instauração do inquérito pela Delegacia da Mulher, em São Paulo, a organização decidiu romper oficialmente seu contrato com o jogador.


A medida tomada de maneira tardia pela equipe escancara uma realidade incômoda dentro da sociedade, na qual o silêncio se torna uma das principais armas a favor da conveniência, manchando uma história vitoriosa e marcada pelo pioneirismo em um cenário embrionário e que hoje tem visibilidade e importância na sociedade mais jovem. A equipe utilizou da demora para priorizar o capital esportivo em detrimento da responsabilidade social em um caso de escândalo, configurando para muitos a sua maior derrota fora das telas.

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